Ossada encontrada no Parque do Estado é de doméstica vítima do maníaco
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 01 de julho de 1999
Por Renato Lombardi 
São Paulo, 02 (AE) - A polícia não tem mais dúvidas. A ossada encontrada na manhã de ontem (01) na mata do Parque do Estado, na zona sul de São Paulo, é da doméstica Rosilda Alves França de Oliveira, de 21 anos, assassinada pelo maníaco do parque, Francisco de Assis Pereira, na noite de 23 de janeiro de 1998. Pereira confessou a morte de 11 mulheres, mas uma delas fingiu estar morta e sobreviveu.
A certeza da polícia tem como base o reconhecimento do bustiê encontrado junto à ossada - feito por Rosângela, irmã de Rosilda - e da calcinha da mesma cor e tecido entregue hoje ao delegado Sérgio Alves, do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
Para confirmar que o bustiê e a calcinha pertenciam a Rosilda, a irmã entregou ao delegado duas fotografias da doméstica feitas alguns meses antes de seu assassinato. Ela aparece ao lado de dois amigos e vestia o bustiê.
Rosângela e seu irmão Evaldo foram ouvidos no inquérito que apura o desaparecimento de Rosilda. Eles contaram que ela usava um aplique e também falaram dos tamancos de número 39, encontrados na mata, perto dos restos mortais. "Ela comprara o tamanco numa loja perto do trabalho e estava com ele quando me visitou num fim de semana", explicou Rosângela.
Rosilda trabalhava para Diná Tebet Dib havia quatro anos. No dia 23, ela estava no Guarujá com a patroa e decidiu passar o fim de semana na capital.
Segundo o depoimento de Francisco Pereira, os dois encontraram-se no Terminal Jabaquara. Ele saíra para encontrar uma companhia e levá-la para o parque. Morena, cabelos longos, Rosilda era o tipo preferido pelo maníaco. Os dois passaram a conversar e ela contou que tinha planos de ser modelo. Queria trabalhar na televisão e Pereira a convenceu a acompanhá-lo até um acampamento no parque, onde poderiam fazer fotos. Pereira disse ter amarrado Rosilda na árvore e a matado por estrangulamento. Em suas declarações, o motoboy a chamou de Elenilda.
"Ele afirmou com tanta convicção que deixara a moça amarrada a uma árvore que decidi mostrar uma foto do parque para que mostrasse o local", disse o delegado Alves.
Concluída - Com a entrega da calcinha encontrada entre as roupas de Rosilda e as declarações dos irmãos dela, o delegado Alves dá o caso por encerrado. "Vai faltar apenas o laudo do Instituto Médico-Legal (IML), que ficará pronto em 20 dias, mas para mim é apenas uma formalidade oficial."
Rosângela contou que a irmã chegou de Malhada, na Bahia, quando tinha 17 anos e foi trabalhar no apartamento de Diná. Ela estava estudando e, como "melhorou de vida", alugou uma casa no Parque Santo Antônio, na zona sul, onde passava os fins de semana estudando, sempre com uma amiga.
Indicia - No dia 8 Pereira sairá da Casa de Custódia e Tratamento de Taubaté, onde está preso, para ser ouvido em mais uma audiência no Tribunal do Júri de Vila Mariana, em São Paulo. O delegado Alves vai indiciá-lo no inquérito pela morte de Rosilda. "Agora temos as evidências e as provas que faltavam para acusá-lo."
Com esse indiciamento, o policial acredita que estará encerrado seu trabalho. São 10 inquéritos por homicídio, um por tentativa de homicídio e 11 por atentado violento ao pudor. Das ossadas encontradas na mata, por meio das indicações de Pereira, duas não foram identificadas. Os peritos não encontraram meios periciais para a obtenção das impressões digitais e também a arcada dentária pelo tempo da morte.
As ossadas estavam ao lado dos corpos de Selma Ferreira de Queiroz e de outra moça assassinada duas semanas antes por Pereira. Para o delegado, o motoboy não mentiu em seus depoimentos. "Contou a verdade quanto aos assassinatos, porque todas as vezes que foi interrogado ele falou em 11 vítimas, pois pensava que Pituxa estivesse morta."
O primeiro julgamento de Pereira deverá ocorrer em outubro. Será no processo em que é acusado do assassinato de Selma . Ela foi estrangulada e teve parte do corpo mutilado por Pereira.


