Brasília, 15 (AE) - O senador Osmar Dias (PSDB-PR), relator de um dos empréstimos solicitados ao Banco Mundial (Bird) pelo governador de São Paulo, Mário Covas, disse hoje que vai rejeitar o pedido. Ele não aceita a posição do ministro da Fazenda, Pedro Malan, de se opor a pareceres do presidente do Banco Central, Armínio Fraga, e da Secretaria do Tesouro Nacional para apoiar a solicitação.
"O Ministério da Fazenda está jogando o ajuste fiscal no lixo", afirmou. "O Senado não pode ser complacente com essa situação". O total solicitado por Covas é de US$ 100 milhões, divididos em dois contratos de US$ 55 milhões e US$ 45 milhões. E precisa do referendo do Senado.
A escolha dos relatores foi do presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), Ney Suassuna(PMDB-PB). Ele designou dois dos mais austeros senadores do PSDB em relação ao endividamento público. O outro é o senador Paulo Hartung (SC), que não foi localizado no final de semana. "Tenho certeza de que eles irão examinar o assunto com a eficiência necessária", previu Suassuna.
Osmar Dias disse que, a exemplo do que fez na semana passada, voltará a usar a tribuna do Senado para condenar a insistência do governo de ignorar a Resolução 78/98. O parecer do BC considerou que os limites de endividamento de São Paulo foram extrapolados, segundo os parâmetros fixados por essa resolução e devolveu os documentos ao Estado. O Tesouro entendeu que a capacidade de pagamentos era incompatível com o volume da operação com o Bird.
Para Osmar Dias, o ministro Pedro Malan "afirma que não é político, mas age como se fosse para atender a interesses políticos de governadores". "Ele deve ser candidato a alguma coisa", ironizou. O senador disse ter informações sobre a "indignação" demonstrada por técnicos do Banco Central por causa da insistência de Malan em ignorar seus pareceres. No discurso que fez na última quarta-feira, Osmar Dias também criticou o Senado, onde "as leis são aprovadas, mas não são cumpridas".

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