A tendência de haver cada vez mais brasileiras com apenas um filho abre espaço para discussões acerca da personalidade das novas gerações. Serão os filhos únicos mais mimados, dependentes e egoístas? A psicóloga Annie Wielewicki afirma que poucas pesquisas demonstram se essas suposições são verdadeiras ou não. Um estudo de 2004 aponta, entretanto, que os filhos únicos parecem ter melhor desempenho escolar, melhor relacionamento com os pais e relacionamentos sociais normais, apesar de passarem mais tempo na internet.
Para ela, independentemente do número de filhos, o que influencia o comportamento das crianças são as práticas parentais adequadas. ''Os pais precisam monitorar os filhos e oferecer modelos de comportamento que não incentivem o individualismo'', diz.
Dar consequências e limites a atitudes inadequadas é outra orientação da psicóloga, que lembra, ainda, a necessidade de dificultar o acesso a presentes e bens materiais. ''As coisas não podem vir sempre de 'mão beijada''', explica. Outro alerta diz respeito ao excesso de controle - que pode gerar crianças inseguras - ou permissividade exagerada, que acaba incentivando a falta de limites. ''São os pais permissivos demais ou autoritários demais que criam esse estereótipo de filho único'', acredita.
Não importa o tamanho da família, Annie reforça a necessidade de monitorar, dar atenção e passar mais tempo com os filhos para minimizar o risco de problemas comportamentais. ''Os pais passam muito tempo trabalhando para adquirir coisas e, por culpa, acabam sendo permissivos. Nesse contexto, os filhos não são prioridade. Isso pode gerar comportamentos imediatistas e individualistas.''
Reavaliar as prioridades, inclusive organizando a vida financeira, são importantes para resgatar a simplicidade e obter uma rotina que permita a educação adequada das crianças. ''Não importa o número de filhos, ou se a família tem ajuda de profissionais. A participação dos pais é fundamental.''(C.A.)

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