Os transtornos de quem depende do Fies
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quinta-feira, 14 de maio de 2015
Rafael Fantin<br>Reportagem local 
Londrina "Se o Fies não tivesse saído, eu iria trancar a faculdade depois do primeiro ano", afirma o estudante Felipe Bufalo, 17 anos, que começou o curso de Engenharia Civil neste ano em Londrina, apesar dos problemas para inscrição no site do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). A família do universitário, que mora em Alvorada do Sul (Região Metropolitana de Londrina), teve que pagar as primeiras mensalidades no início do ano letivo até a confirmação do contrato do estudante. "Eu entrava de madrugada todos os dias no site para fazer a inscrição, mas nunca dava certo e a justificativa era a falta de fundos para o financiamento. Até conseguir, minha família pagou as mensalidades, além do transporte diário para Londrina", lembra.
Já o aluno do curso de Farmácia Paulo Murilo Piller Marcello, 22 anos, não teve a mesma sorte e ficou sem financiamento apesar dos 560 pontos obtidos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). "Por mais de dois meses, eu entrei no site do Fies e toda vez acontecia um problema que voltava a inscrição para o início. Neste período, paguei a matrícula e duas mensalidades", afirma o estudante, que optou por um financiamento alternativo no Centro Universitário Filadélfia (UniFil).
RENOVAÇÃO
Para estudantes já atendidos pelo programa, o fato de ter que arcar com as primeiras mensalidades, como Felipe e Paulo Murilo, não é o único inconveniente. Mesmo para quem já recebe o financiamento, a renovação dos contratos também pode acabar virando um problema, segundo afirma o diretor executivo da Associação Brasileira de Mantenedoras do Ensino Superior (ABMES), Sólon Caldas. Ele explica que o MEC limitou o reajuste dos contratos em 6,41%, mas as mensalidades subiram em média 9%, levando em consideração o índice da inflação e custos com insumos como o aumento na energia elétrica.
"Os alunos não conseguem a renovação acima do limite, que não coincide com os reajustes das mensalidades. O aditamento dos contratos é preliminar, sendo que os contratos ainda não foram validados pelo FNDE, fundo responsável pelo Fies. Atualmente, os alunos pensam que estão regulares, mas na realidade o problema ainda não foi resolvido", pondera. Para Caldas, o governo deve arcar com 100% da mensalidade com mudanças no sistema ou os estudantes podem ter que pagar parte dos custos, que ficaram de fora do Fies. Uma outra alternativa é a linha de crédito própria, já adotada por algumas universidades do País com objetivo de manter os alunos no ensino superior e de abrir novas vagas aos interessados em financiamentos (veja box).
O diretor também afirma que instituições privadas foram surpreendidas com as mudanças no Fies anunciadas no final do ano passado pelo MEC após o período de vestibulares e matrículas. "A portaria saiu no dia 29 de dezembro. As universidades tiveram que refazer o planejamento financeiro para o ano de 2015", critica. Além disso, as instituições vão receber o montante referente ao Fies em oito parcelas ao invés de 12 pagamentos como nos últimos anos. "Ainda não há definição sobre o repasse das outras parcelas, o que impacta principalmente nas pequenas e médias universidades privadas. Cada instituição precisa se readequar com o fluxo menor de caixa para arcar com os pagamentos de fornecedores e investimentos estruturais já realizados", comenta. Segundo ele, a previsão era de 500 mil novos contratos, mas apenas metade da demanda foi atendida.


