Bogotá, 19 (AE-NEWSWEEK) - A redada contra a quadrilha de Alejandro Bernal foi um triunfo de relações públicas para as autoridades policiais dos EUA e da Colômbia. A DEA alardeou que as prisões em massa eram "o êxito mais significativo" do esforço conjunto até então. Ainda assim, não há garantias de que as prisões alterarão muito o comércio global de narcóticos na Colômbia.
Nove dos 40 co-réus da Operação Milênio continuam foragidos. E funcionários do serviço colombiano de informações calculam que o país ainda tenha 28 grandes quadrilhas, comprando e exportando narcóticos de mais de 400 pequenos fornecedores.
Tampouco está sendo fácil agarrar os novos barões das drogas. Os cartéis da década de 80 tinham estrutura semelhante à de corporações integradas verticalmente. Eram dirigidos por executivos que controlavam praticamente tudo, da produção ao transporte e distribuição de drogas à lavagem dos lucros. Investigadores precisavam recrutar um só informante que ocupasse posição estratégica para estourar um cartel.
Os sindicatos atuais tendem a funcionar mais como consórcios de traficantes independentes. Os participantes juntam seus recursos para compras específicas e depois se separam, até chegar a próxima grande encomenda. Com essa estrutura fragmentada, a prisão de um suposto chefe como Bernal já não prenuncia o colapso de sua organização inteira. "Já não se tem um ou dois indivíduos que controlam tudo", diz um agente da DEA. "Essas organizações se juntam por conveniência e já não se tem uma situação em que, visando esses caras, está-se visando o cartel inteiro." A guerra é a solução? A assistência militar está no núcleo do plano de emergência proposto por Clinton, que prevê o treinamento de dois batalhões especiais antidrogas do Exército colombiano para reforçar a unidade de 950 homens treinada pelos boinas-verdes dos EUA no ano passado. Cerca de US$ 700 milhões se destinam à compra de 30 helicópteros Blackhawk e 33 Huey para ajudar o Exército a desalojar os guerrilheiros esquerdistas que controlam grande parte das melhores terras para o cultivo da coca, no sul.
"A erradicação é a meta principal deste pacote", diz Thomas Umberg, subchefe do programa antidrogas da Casa Branca. "Ninguém sobrevoa aquilo sem ver plantações de coca por toda parte." Mas acabar com os plantadores de coca não vai afetar muito os chefes do tráfico, exceto elevar o preço de seu produto. Não consta que Bernal tivesse ligações com os rebeldes esquerdistas da Colômbia. Ao contrário, documentos judiciais deste caso identificam dois seus co- réus na Operação Milênio como paramilitares de direita, inimigos figadais dos guerrilheiros. E o possível centro nevrálgico do sindicato era um conjunto de escritórios que custava US$ 500 mensais e ficava na capital, a centenas de quilômetros das várzeas quentes e úmidas onde a maior parte da coca colombiana é cultivada.
Até agora, os chefes do programa antidrogas de Washington não tiveram muita sorte na tentativa de desgastar o inimigo levando-o à rendição.
Entre 1996 e 1999, a ajuda americana à Colômbia quase quintuplicou, passando de US$ 65 milhões para US$ 290 milhões. Nesse período, a área total do país onde se cultiva coca não diminuiu: especialistas em drogas dizem que ela parece pelo menos ter dobrado de tamanho.
"Gastamos bilhões tentando impedir a entrada de drogas nos EUA, e o fluxo piorou em vez de melhorar", diz o senador americano Patrick Leahy. A verdade é que uns bilhões de dólares nada significam se comparados com o dinheiro que os consumidores de drogas nos EUA pagam. Não é preciso ser um Alejandro Bernal para perceber a situação. (J.C. e S.A.)

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