Os três jovens assassinados na Baixada Santista, na Quarta-Feira de Cinzas, tinham em comum a vontade de viver. Thiago Passos Ferreira, de 17 anos, é descrito como um adolescente tranquilo, que gostava de jogar bola na praia - torcia pelo São Paulo Futebol Clube - de rock e revistas em quadrinhos com histórias de super-heróis. Paulistano, morava em Santos há dois anos com a mãe, Sílvia Regina Ferreira Giordano, procuradora da Fazenda Nacional, em um prédio de classe média alta no Gonzaga. Thiago não gostava de moda ou grifes e parecia satisfeito com a vida. O rapaz completaria 18 anos em agosto.
‘‘Ele não era revoltado, tinha bom relacionamento com a mãe, a ponto de irem juntos ao cinema’’, comentou ontem Marta Fogaça Silva, amiga de Sílvia. Ontem, Sílvia mostrava aparente calma, a custa de tranquilizantes, mas chorava muito sempre que apareciam notícias sobre a morte do filho na televisão, contou Marta. ‘‘Era um estudante mediano, mas estava empolgado com o novo colégio, em que cursaria o primeiro colegial’’, disse.
Tinha muitos amigos em São Vicente, onde moram seus primos e foi levado pelos policiais militares. ‘‘No dia em que desapareceu, depois do baile ia dormir na casa da avó, que reside na Ilha Porchat’’, disse Marta. ‘‘Ele era um menino bem educado e tratava todos muito bem’’, comentou o porteiro do prédio em que o rapaz morava, Oswaldo Cardoso. O crime revoltou os moradores do local.
Anderson Pereira dos Santos, de 14 anos, e Paulo Roberto da Silva, de 21, também tinham boa conduta, segundo seus parentes. Prima de Paulo Roberto, Daniela Regina Cordeiro Francisco afirma que ele só pensava em concluir o supletivo e formar-se para poder ajudar a mãe, que é babá e reside na periferia de São Vicente.
‘‘Era muito alegre, brincalhão e, sobretudo, muito estudioso’’, enfatizou. Paulo Roberto era ‘‘roxo’’ pelo Santos Futebol Clube, gostava de pagode e de rap. Seus amigos decidiram levar um CD do grupo Racionais, de quem Paulo era fã, para acompanhá-lo no caixão.
Anderson Pereira dos Santos era o mais jovem dos três e morava num apartamento na Ilha Porchat, onde o pai trabalha como zelador. Estava na 7ª série do Colégio Estadual Zulmira de Almeida Lamberti e, segundo Rosiclair Aparecida dos Santos, sua prima, era bom aluno, pacato, saía pouco e não tinha vícios. ‘‘Suas principais diversões eram jogar bola na pracinha da Ilha e ir à praia’’.

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