Londrina - A catadora de recicláveis Eliana de Souza Ribeiro, de 48 anos, foi uma das primeiras a chegar na ocupação da Vila Marízia (área central). Há quatro décadas ela ouve conversas sobre planos de urbanização do bairro que nunca saíram do papel. "Uma parte da Marízia foi legalizada, mas esse fundão aqui é abandonado. Tudo é na base do improviso", disse. Ela revelou sentir falta de uma casa melhor estruturada. "No frio é pior ainda. As crianças são as que mais sofrem. Eliane teve um filho de 18 anos morto após se envolver com as drogas. Os problemas do bairro vão muito além de morar mal", denunciou.
Dos problemas do dia a dia, o que mais a incomoda é a falta de infraestrutura básica. "Ter que colocar sacolas plásticas nos pés para sair de casa em dias de chuva é horrível". Já dentro de casa, toda a sujeira e desorganização do bairro somem. "Gosto de manter tudo limpo e em ordem. Não é porque a casa é pobre que tem que ser bagunçada", contou. Na casa de uma vizinha, uma placa de madeira pintada a mão adverte os visitantes para que tirem os chinelos antes de entrar. "Aqui tem gente caprichosa, só precisamos de mais atenção do poder público", observa.
Ela divide a casa apenas com o marido, mas dois filhos casados moram com os filhos em outros dois barracos no bairro. "Quando a família é grande a situação é ainda pior, ficam todos amontoados". Eliana disse que é conhecida na Cohab e sempre cobra a construção de casas populares no bairro. "Tenho uma vida aqui, mas ainda não perdi a esperança. Eu faço minha parte de cobrar". (C.F.)

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