Os principais pontos da entrevista de Malan
São Paulo, 02 (AE) - A seguir, os principais trechos da entrevista de Malan:
Razões da saída de Lopes - "A pergunta deveria ser dirigida ao presidente da República, a quem cabe, num regime democrático, tomar as decisões, em última análise. Foi deixado claro ao presidente, em algum momento, muitos dias atrás, tanto por mim quanto pelo doutor Francisco Lopes, que talvez fosse o caso de ele (Fernando Henrique Cardoso) considerar seriamente a possibilidade de uma substituição dos dois nomes pensando no País e no seu governo".
Elogios a Lopes - "Em meu nome e de todos do governo quero expressar a nossa profunda admiração intelectual pelo professor Lopes. É um dos mais competentes economistas deste País, teve um excepcional desempenho ao longo dos últimos quatro anos nas diretorias de Política Monetária e de Política Econômica, que acumulou com brilhantismo. Constituiu uma reputação nacional e internacional invejável. Eu lamento, dadas as qualidades do professor, que ele tenha optado não só por colocar o cargo à disposição, como aceitar a substituição que foi encaminhada ao presidente da República."
Fraga tem afinidade - "Fraga tem total afinidade com a recente decisão do governo de liberar o câmbio e com a orientação geral da política econômica do governo. O pesar pela saída de Francisco Lopes é compensado pelo ingresso no governo de uma pessoa do calibre de Armínio Fraga. Já a partir de hoje ele estará totalmente integrado à equipe econômica do governo. Enquanto seu nome não for submetido ao Senado, ele atuará na condição de assessor especial do ministro da Fazenda, cuja nomeação deve ter saído hoje no Diário Oficial."
Fraga e Soros - "O futuro presidente do BC se desligou totalmente e integralmente de qualquer atividade profissional para assumir as novas responsabilidades. Não há sentido em estabelecer relação entre a opinião dos dois. Eles têm personalidades e opiniões próprias."
Ninguém foi consultado - "A participação de Fraga ou de outra pessoa fora do governo foi zero em toda essa discussão das mudanças no câmbio. Não houve absolutamente nenhuma participação
nenhuma conversa, nenhuma consulta, nenhuma busca de opinião ao doutor Fraga ou a quem quer fosse. Sobre a relação das mudanças na direção do BC com o FMI ou outros governos, eu posso assegurar que, se tomaram conhecimento desse assunto, foi ao mesmo tempo que vocês, se estivessem olhando as telinhas em tempo real. Não houve qualquer tipo de sugestão do FMI, que seria, obviamente, inteiramente descabida e teria que ser rechaçada como interferência inaceitável na decisão interna de um País soberano."
Reforço ao BC - "A idéia é de reforçar institucionalmente o BC para que ele possa operar de maneira mais adequada ao regime de câmbio flutuante, ao qual o País tem de se habituar a conviver e o BC a operar, inclusive com mecanismos de intervenção que nós teremos em vigor em breve. É esta a razão pela qual estão sendo mudados não só o presidente, mas alguns de seus diretores, mas nem todos os atuais sairão. Nesse sentido é muito bem-vinda a adição de Fraga à equipe econômica. A experiência do doutor Fraga é importante."
Exagero no câmbio - "Na sexta-feira passada, quando o câmbio bateu R$ 2,15 por dólar, eu disse: Olha, isso é um grande exagero, não existe nenhuma base ou fundamentos reais na economia brasileira para essa disparada do câmbio, ele não se manterá nesses níveis. Não acho pertinente dizer exatamente para quanto vai cair e quando, isso depende de um complexo de forças atuando no mercado e de percepções e expectativas sobre a economia brasileira e seu futuro, em particular nossa determinação de equacionar o principal problema, que são as contas públicas."
ACM e especuladores - "Eu ouvi com interesse o excelente discurso do presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA). Achei relevante a parte em que ele reitera que o Congresso não haverá de faltar ao País neste momento. Quanto aos especuladores, o governo tem que estar atento para tomar medidas apropriadas, desde que a base legal e as evidências estejam claramente configuradas. Não se deve responder a boatos com outros boatos, nem à especulação com simples discurso, mas com ação concreta que na verdade se faz através de uma atuação discreta do BC."





