Todos os secretários da Segurança Pública do País reúnem-se amanhã em Porto Alegre com o ministro da Justiça. Uma preliminar que encaminhará encontro do presidente Lula com os governadores para discutir esse assunto, violência, que virou uma nova Babel: todos falam, poucos se entendem.
A reunião desta segunda-feira na capital gaúcha soa como uma espécie de homenagem ao presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros, Cláudio Baldino Maciel, que é desembargador nos pampas e dias atrás entregou ao ministro Márcio Thomaz Bastos uma relação sinistra de 82 magistrados sob ameaça em todo o País. Chegou a hora de colocar o dedo na ferida.
O ministro Bastos equivocou-se ao dizer que a imprensa está dando nível de pop star ao traficante Fernandinho Beira-Mar. Não, ministro: quem transformou o facínora em estrela foi o próprio Governo, ao passar por cima do Judiciário para decidir onde ele fica, mobilizando um aparato cinematográfico. Se o Governo monta o circo, não pode pretender picadeiro vazio. A triste verdade é que poucos escalões do Governo conhecem esse assunto como deveria. Dá palpites, improvisa, deixa o profissionalismo de lado e de novo fala em ''sistema único de segurança'' como se os Estados não fossem autônomos. E isso governadores e secretários da Segurança precisam aprender de uma vez por todas: depende só deles a implantação da política na área em cada unidade da Federação. Jamais a União terá condições de ser babá de todos. Quem não sabe, que aprenda. Quem erra, que se corrija. Nesse sentido, os magistrados envolvidos com execuções penais em São Paulo tiveram o bom senso de pedir uma palestra ao diretor do departamento policial que investiga o crime organizado. Ouviram isso, anteontem: ''Sou um gladiador cercado de leões. Só que os leões estão mais bem armados do que eu. Na arena todos assistem, inclusive os juízes. Mas quebrou-se a divisão de vidro que os separava e o sangue espirrou (analogia com os dois juízes assassinados) sobre os senhores. Temos que unir, senão estamos perdidos''.
Os juízes sofreram forte impacto ao ouvir essas palavras. A proteção que recebem, evidentemente, é policial. Não se pode mais colocar tudo no mesmo saco, ou seja, banda podre com lado bom. É preciso separar o joio do trigo. A lama do crime organizado atinge todas as classes sociais e categorias profissionais. Só não vê quem não quer. Não dá mais para ser corporativista. A imagem do diretor de Polícia (Godofredo Bittencourt) é clara: os leões rugem, estraçalham, possuem garras afiadas. Os desiguais desafiam os modernos gladiadores iguais. A platéia agora sabe que o gladiadores representam proteção e sobrevivência. Amanhã, em Porto Alegre, a linguagem dos chefes dos gladiadores será outra. Inútil, se mantiverem distância da realidade e se fixarem outra vez em teorias, divagações, abstrações, devaneios e desvios que nos conduziram à situação em que nos encontramos. Aproveitem o rio Guaíba e tomem um banho. De realidade.

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