Brasília, 30 (AE) - A análise feita pelo Banco Central para determinar a trajetória esperada da inflação considera os seguintes fatores:
1) Demanda agregada - é a procura total das pessoas e das empresas por bens e serviços. Se essa procura estiver muito elevada, poderá pressionar os preços e, assim, gerar inflação. Neste caso, o Banco Central teria que elevar os juros para reduzir o consumo. O BC diz que não foram detectados sinais significantes de pressões pelo lado da demanda.
2) Oferta agregada - é a oferta total de bens e serviços no País. Se a safra agrícola for boa, por exemplo, a maior oferta de alimentos terá impacto de baixa sobre a inflação. O Banco Central diz que houve "um choque de oferta muito favorável" provocado pela safra de verão. Mas haverá um "choque de oferta negativo": o reajuste das tarifas de serviços públicos: telefone, eletricidade e combustíveis.
3) Política Fiscal - a situação das contas públicas do País poderá ter impacto sobre a inflação. Um quadro fiscal difícil afeta negativamente as expectativas dos agentes econômicos ao adicionar incertezas sobre o futuro da economia e dificultar o planejamento de longo prazo. O BC diz que a política fiscal não exerce pressão inflacionária no horizonte que considerou, de seis meses a dois anos.
4) Economia Internacional - Em regime de câmbio flutuante, movimentos bruscos de capitais provocam ajustes igualmente bruscos na taxa de câmbio. Esses ajustes, por sua vez
repercutem na inflação doméstica, pois mudam os preços relativos entre os bens comercializáveis e não comercializáveis com o exterior. O BC identifica dois choques adversos com efeitos sobre o Brasil: a elevação das taxas de juros nos Estados Unidos e maiores riscos associados a países emergentes. O BC já trabalhava com a elevação de 0,25% na taxa de juros americana e com a possibilidade de novos aumentos ao longo do segunto semestre.
As metas de inflação são definidas dentro de um intervalo. Por exemplo: a meta de inflação para este ano é de 8% e o intervalo que vai modular a ação do Banco Central será de 6% a 10%. Isso significa que qualquer taxa que for obtida dentro desse intervalo será considerada como adequada. Ou seja, não necessitará de medidas adicionais de correção de rumo.
O intervalo é adotado porque a previsão está sujeita a incertezas, que é parte integrante da realidade econômica, seja em virtude dos modelos econômicos serem, necessariamente, simplificações dessa realidade, seja em virtude da possibilidade da ocorrência de eventos inesperados.

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