Curitiba - A falta de estrutura urbana é uma das maiores dificuldades enfrentadas pelas pessoas com deficiência. Os profissionais que fazem recrutamento e seleção de candidatos às vagas especiais também se queixam da baixa escolaridade que coíbe o ingresso no mercado de trabalho. Um levantamento feito pela Universidade Livre para Eficiência Humana (Unilehu), que capacita pessoas com deficiência, aponta que 60% dos currículos disponibilizados para as vagas de trabalho não possuem o 2º grau completo. Ao menos 600 candidatos em 2009 deixaram de ser acolhidos nas empresas em razão desse estreito gargalho.
Uma outra pesquisa na Secretaria de Trabalho e Emprego do Paraná (SETP) mostra que, entre janeiro e março deste ano, 5.039 pessoas com necessidades especiais cadastraram-se às vagas oferecidas pela Agência do Trabalhador - Sine. O número é 42% inferior aos registros colhidos durante o mesmo período de 2008.
Uma das saídas tem sido flexibilizar os critérios de seleção. Este ano, a empresa Risotolândia, em parceria com o Senac, dedicou as vagas de aprendiz de auxiliar de cozinha às pessoas com deficiência intelectual, cuja escolaridade, em sua maioria, não supera o 1º grau completo.
A demanda por cursos, por outro lado, está aumentando. A perspectiva de Yvy Abbade, diretora executiva da Unilehu, é atender apenas 30% das pessoas com deficiência que procuram os cursos de capacitação da entidade. Já a Secretaria Estadual de Educação (Seed) aponta um crescimento de 108% no número de matrículas de pessoas com necessidades especiais na rede pública de ensino, entre 2002 e 2009.
Valer a pena
Questionado sobre as mudanças necessárias para fluir os planos da inclusão, Aroldo Weber, auxiliar administrativo do Sine da Fazenda Rio Grande (Região Metropolitana de Curitiba), afirma que a prioridade é promover acessibilidade, especialmente em colégios e empresas. ''Saímos de casa para enfrentar as dificuldades de acesso, enquanto se ficarmos em casa, o INSS nos cobre o valor. Precisa valer a pena. Sempre estimulo a inclusão para a pessoa sentir-se útil e tentar viver uma vida mais próxima do normal'', completa.
''Autuamos escolas municipais e estaduais que não adaptaram o acesso às pessoas com deficiência. Preciso que a sociedade nos alerte para avançarmos a questão. Há promotores em cada comarca do Estado'', reforça a promotora de Justiça de Proteção aos Direitos dos Portadores de Deficiência, Rosana Bevervanço.
Um exemplo é o auxiliar administrativo da Promon e Consórcio Camargo Corrêa do Paraná - CCPR, Clodoaldo Godinho, 26. Ele teve as mãos cortadas em um acidente de trabalho e, depois de dois anos de terapia ocupacional, decidiu voltar à ativa. Durante as sessões, ele era estimulado a ''se virar'' e resolveu bolar um jeito de usar o computador. Criou um mecanismo para conseguir digitar nos teclados acoplando uma espécie de cone nas extremidades dos braços. Há cinco meses assumiu a função na CCPR e comprou um carro adaptado. Seus planos não pararam por aí. À noite ele faz faculdade de Direito.

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