Ortotanásia é decisão difícil para família
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sábado, 11 de novembro de 2006
Maigue Gueths<BR>Equipe da Folha 
Curitiba- O ®MDBO¯®MDNM¯Conselho Federal de Medicina (CFM) aprovou, na quinta-feira, uma resolução que permite aos médicos interromper os tratamentos que prolongam a vida dos doentes quando eles estão em estado terminal, com doença grave e sem chances de cura, desde que a família ou o próprio doente concorde com a decisão.
A resolução, aprovada por unanimidade em plenária do CFM, vale para médicos de todo País. Apesar do assunto ter sido exaustivamente discutido pelos conselhos regionais de medicina antes de sua aprovação, a questão é polêmica. Por isso, uma das preocupações é deixar claro que a resolução não tem nada a ver com eutanásia, que é o ato de provocar a morte de outra pessoa que esteja sofrendo com doença grave. Pelas leis brasileiras, a eutanásia é homicídio.
A prática aprovada pela resolução do CFM é a ortotanásia, ou seja, a retirada de equipamentos, medicamentos ou outros recursos que prolonguem artificialmente a vida, quando não há mais chances de recuperação. O presidente do Conselho Regional de Medicina-Paraná, Hélcio Bertolozzi Soares, resalta que o procedimento só deve ser adotado depois de ''amplamente conversado com a família''.
Outra preocupação, para ele, é garantir que o paciente tenha todo conforto moral e físico, o que significa não ter dores. ''Isso não significa deixar de dar atenção a esse paciente. Ao contrário, significa não fazer terapêuticas que visam prolongar o sofrimento dessa pessoa'', explica
Um exemplo de aplicação da prática, segundo Soares, seria uma pessoa de idade de avançada que sofre um acidente vascular de efeitos irreversíveis, são tentadas várias terapêuticas, sem resultados. ''Num caso desses, vale a pena sentar com a família, respeitando direitos e vontades, para decidir as medidas que melhor venham amparar esse paciente'', diz.
Soares reconhece que trata-se de uma decisão ''difícil'' que ele mesmo teve que tomar recentemente, quando viu seu pai cair doente. Soares optou por mantê-lo na internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas arrepende-se de não tê-lo levado para casa. ''Quando ele mais precisava ficar com os filhos, com quem ele ficava diariamente, ele ficou longe, foi para uma UTI. Ele devia ter ficado na minha casa'', lamenta.
A Igreja Católica, usualmente contrária a ações que atentem contra a vida, como o aborto, desta vez se posiciona ao lado dos médicos. ''Temos uma clara posição contrária à eutanásia (e não à ortotanásia)'', afirma d. Odilo Pedro Scherer, secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
O frei Antonio Moser, consultor da CNBB em bioética, lembra que o papa João Paulo II, morto no ano passado, pediu que não se utilizassem aparelhos para prolongar sua vida.


