Ortopedista preso por cobrar cirurgia pelo SUS
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sexta-feira, 26 de setembro de 2008
Fernanda Borges<br>Reportagem Local 
Londrina- A denúncia de um casal de moradores do Conjunto Ouro Branco (Zona Sul), levou à prisão de um médico que estaria cobrando e recebendo ''gratificações'' para atendimentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) na Santa Casa de Londrina.
A autuação aconteceu na manhã de ontem no Hospital da Zona Sul (HZS), onde o ortopedista Edson Romoaldo dos Santos, trabalha como funcionário do Estado. Policiais do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), prenderam o ortopedista em flagrante recebendo um cheque de R$ 500 da paciente que teria passado por uma cirurgia no punho esquerdo, no último dia 24.
A vítima, Odete Cerri, 54 anos, disse que após ter recebido alta da cirurgia recebeu um recado do médico de que precisaria enviar o pagamento do procedimento. ''Minha filha faz estágio lá onde ele trabalha (HZS) e então ele mandou um recado que era pra ela me lembrar de mandar o dinheiro pra ele. Eu achei estranho e comentei ao meu marido que não estava entendendo a cobrança já que a cirurgia tinha sido feita pelo SUS'', comentou a dona de casa.
O marido dela, Mário Cerri, procurou o Ministério Público. ''Então combinamos com os policiais de gravar a entrega do cheque. Chegamos lá hoje (ontem) de manhã no hospital e eu entreguei o cheque na mão dele. Quando ele pegou até perguntei se podia parcelar e ele disse que poderia'', explicou o aposentado.
O médico foi levado para a sede do Gaeco e ouvido pelo delegado Alan Flore. Segundo Flore, Santos seria levado para o Centro de Detenção e Ressocialização (CDR) de Londrina onde permaneceria preso à disposição da Justiça. ''Ele foi autuado em flagrante pelo crime de corrupção passiva, pena que varia de 2 a 12 anos de prisão'', disse.
O advogado do médico, Leonardo Viana, disse apenas que seu cliente esclareceu os fatos ao delegado. ''A princípio não houve qualquer tipo de crime. a Justiça que vai julgar se ele recebeu ou não'', disse.
O diretor do Conselho Regional de Medicina em Londrina, João Henrique Steffen Júnior, explicou que o profissional que atua pelo Estado está impossibilitado de receber qualquer tipo de adicional ou gratificação. ''Isso é um ato extremamente proibido e irregular. Assim que o MP nos comunicar dos fatos, será instaurada sindicância. Se o profissional for realmente culpado, será julgado e pode ser condenado por meio de advertência ou até mesmo suspensão de sua atividade profissional por seis meses a um ano ou até mesmo a cassação do seu registro'', disse.
A assessoria da Santa Casa informou que todos procedimentos feitos em pacientes do SUS são pagos pelo próprio SUS, incluindo honorários médicos. Os pacientes devem comunicar a diretoria sobre qualquer tipo de cobrança de serviços feitos pelo SUS.


