Ortopedia aliada à odontologia
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segunda-feira, 06 de fevereiro de 2006
Lola Felix 
Sao Paulo - Diga a um dentista como você mastiga e ele dirá quais são seus problemas. Esse poderia ser o lema da ortopedia funcional dos maxilares, ramo da ortodontia que estuda o diagnóstico e tratamento da postura dos dentes, das arcadas, dos ossos e músculos da face e do pescoço, incluindo as posições da língua, dos lábios, bochechas e ouvido. Ela é indicada para problemas que vão desde alterações de mordidas até dores na região do ouvido.
Apesar de não ser novidade, pouca gente sabe que a ortopedia funcional dos maxilares é especialmente indicada para problemas na dentição de leite e mista (presença de dentes de leite e permanentes nas arcadas). É neste período que as arcadas ainda estão em formação e necessitam de mudanças estruturais. O ideal é que a criança tenha, no mínimo, três anos de idade para iniciar o tratamento.
Mas adultos também podem recorrer à ortopedia funcional, especialmente em problemas como mordidas cruzadas e profundas, dores e estalos no maxilar.
Especialista no ramo, a cirurgiã-dentista Miriam Zelikowski conta que é preciso conhecer bem o dia-a-dia do paciente antes de elaborar um diagnóstico mais detalhado. Sempre peço para eles levarem uma maçã ou um biscoito para o consultório, para observar se mastigam direito, explica a dentista.
Em relação às crianças, é preciso saber como elas se sentam nas carteiras escolares - o hábito de colocar a mão embaixo do queixo, por exemplo, pode provocar mordida cruzada -, qual o tamanho do furo da mamadeira - os muito grandes podem provocar flacidez facial - e até que idade foram amamentadas, entre outras questões.
Tratar os problemas da articulação temporomandibular pode melhorar até mesmo dores no pescoço e na coluna. Os músculos do pescoço estão interligados com os da face. A longo prazo, e juntando com o estresse, eles podem sofrer com uma mastigação ou posição dos dentes incorretas, diz Miriam. O mais importante, para a dentista, é não separar paciente dos dentes. Ou seja, não separar o emocional do físico. Muitos destes hábitos nocivos surgem de problemas emocionais, como ansiedade, estresse ou traumas, esclarece.
Nem todos os casos necessitam de aparelhos. Alguns problemas, como mastigação incorreta, só precisam de exercícios diários, com borrachas e chupetas especiais. Miriam também indica alguns de relaxamento corporal, para pessoas que costumam ranger os dentes por ansiedade. Em três meses, a dentista acredita que seja possível reverter muitos problemas relacionados a maus hábitos.
O que pode melhorar também com exercícios é a estética. Uma ginástica diária pode fazer maravilhas aos músculos da face. Até mesmo prevenir ruguinhas precoces, garante Miriam. Além disso, o paciente pode aprender a mastigar direito - e comer menos.
Serviço: Miriam Zelikowski. Tel.: SP (11) 6977-9799


