Passados 16 anos desde a assinatura, Portugal aprovou na sexta-feira passada o acordo ortográfico. Segundo a decisão do Parlamento lusitano, as mudanças na forma de escrever o português deverão entram em vigor dentro de seis anos, prazo para os editores adaptarem os livros escolares.
  Apesar do movimento gerado nas últimas semanas contra o acordo, apenas três deputados votaram contrariamente. Uma das iniciativas que gerou maior mobilização foi um abaixo-assinado na internet, iniciado no dia 2 de maio, que em apenas 14 dias recolheu mais de 35.000 assinaturas.
  Segundo o acordo, a norma escrita em Portugal terá 1,42% das suas palavras modificadas, enquanto no Brasil, apenas 0,43% das palavras serão alteradas. Para os portugueses, caem as letras não pronunciadas, como o ‘‘c’’ em ’acto’ e ‘director’, o ‘‘p’’ em ‘Egipto’ e ‘óptimo’ e o acento que distingue o pretérito perfeito do presente (em Portugal, escreve-se ‘levámos’, no passado, e ‘levamos’, no presente). A utilização do hífen também será uniformizada.
  Apesar do acordo, continuarão as diferenças no português dos dois lados do Atlântico. Os lusitanos vão continuar a escrever ‘António’ e ‘género’ com acento agudo, enquanto no Brasil se mantém o circunflexo. Também vão continuar o ‘‘c’’ em ’facto’ – fato em Portugal é roupa – e tiram o ‘‘p’’ que não pronunciam na palavra ‘recepção’.


Entre as mudanças, já está definido que o trema deixará de existir, a não ser em nomes próprios e seus derivados. Quanto ao acento diferencial, não se usará mais. Além disso, o alfabeto passará a ter 26 letras com a incorporação das letras ‘‘k’’, ‘‘w’’ e ‘‘y’’


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