Marcos Zanatta
De Maringá
Depois de florir os canteiros centrais das principais avenidas de Maringá, o vereador Basílio Bacarin (PSDB) quer cultivar orquídeas nas árvores da cidade. São quase 80 mil árvores em áreas públicas, que dependendo da adesão dos moradores terão orquídeas suspensas. A idéia nasceu com o sucesso da Escola de Jardinagem Pró-Jardim, que tira jovens de 14 a 17 anos das ruas para trabalhar na formação de jardins públicos. Através da ajuda de empresas, que pagam bolsas no valor de 70% do salário mínimo (R$ 95,00), a Fundação de Meio Ambiente de Maringá (Fundama) mantém a escola de jardinagem.
A proposta de plantar orquídeas envolve também a Associação dos Orquidófilos do Brasil e a Universidade Estadual de Maringá (UEM). A entidade vai selecionar mudas, que serão desenvolvidas em um laboratório da UEM. ‘‘Precisamos produzir em alta escala para atender a demanda’’, explica Bacarin. Quando as mudas estiverem ‘‘prontas’’, serão transplantadas nas árvores da área central ou avenidas de maior movimento. ‘‘Vai demorar entre quatro e cinco anos para o resultado aparecer, mas tínhamos que começar em algum momento’’.
Depois da área central, o projeto vai para os bairros. A idéia é manter o laboratório de mudas produzindo o tempo todo para atender a procura. ‘‘Com certeza os moradores vão querer plantar na frente de suas casas’’, acredita Bacarin. Com cada morador cuidando da muda na árvore em frente de casa, o projeto pretende florir toda a cidade com as orquídeas. O trabalho, do laboratório até o cultivo, e a manutenção das mudas nas árvores vai envolver os menores da Fundama. Para isso, a fundação busca mais parcerias.
Atualmente, 42 menores cultivam os canteiros centrais, todos ‘‘financiados’’ pela iniciativa privada. Eles estudam e trabalham desde a formação de mudas no viveiro municipal até o plantio e manutenção dos canteiros. As empresas pagam os R$ 95,00 como bolsa durante um ano.
Bacarin quer ter até 100 menores no projeto. ‘‘Mesmo os que se formam depois do curso estamos viabilizando trabalho para eles, que ainda são imaturos para assumir um serviço sozinhos’’, diz o vereador. ‘‘Quanto mais empresas participarem do projeto menos menores nas ruas’’, defende.
São 35 menores formados que prestam serviços para empresas contatadas através da Fundama. O empresário Antonio Belini Filho, que colabora com cinco bolsas, diz que a filosofia da escola foge da filantropia, dando condições para que o menor consiga crescer com seu próprio esforço.
Os comerciantes da Avenida Mandacaru se uniram para manter alguns dos jardineiros formados. Eles pagaram para os menores plantarem flores no trecho comercial da avenida e agora vão contratar um ou dois menores para manter o canteiro.
A comerciante Valdete Borges Portela, que tem uma loja de calçados no bairro, disse que as empresas ainda vão pagar uma bolsa para a Fundama. Para ele, o mais importante não é apenas melhorar o aspecto do bairro, mas garantir a manutenção dos menores na sala de aulas. ‘‘Sem estímulo esses jovens saem da escola e não encontram oportunidade sem um apoio da sociedade’’, constata.Projeto para manter embelezamento da cidade prevê cultivo da planta em quase 80 mil árvores existentes em áreas públicas
Marcos NegriniMarcos NegriniOssamu KandaCORES DA PRIMAVERAJardins são cultivados por menores carentes; Valdete Portela reuniu lojistas para fazer canteiro em avenida

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