São Paulo, 21 (AE) - A Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osep) apresentou-se hoje no Complexo Cultural Júlio Prestes para um público especial: 700 funcionários que trabalharam na recuperação do local, uma antiga estação de trem, com projeto original de 1926. A inauguração do complexo está marcada para 9 de julho.
A apresentação, ao meio-dia, teve a presença do governador Mário Covas e serviu como teste acústico da Sala São Paulo, a única no mundo com um teto "afinável" móvel, formado por 27 placas para que possa ser adaptado aos diferentes tipos de música. Lágrimas - Alguns trabalhadores chegaram tímidos à sala, com capacidade para 1,5 mil pessoas. Outros não escondiam o orgulho por ter participado da restauração. Ao fim do concerto - que teve no programa o "Bolero", de Ravel, e "Construção", de Chico Buarque, muitos não puderam conter as lágrimas. "É coisa do outro mundo", comentou, emocionado, o operário Levino Santa Rosa, que acompanhou o espetáculo ao lado da mulher, três filhos e três netos. Aos 52 anos, ele nunca havia assistido a um concerto ou entrado em um teatro, a não ser para trabalhar.
A reforma do complexo, iniciada em novembro de 1997 e orçada em R$ 44 milhões, faz parte do projeto de revitalização da região da Estação da Luz. No local, futura sede da Osep, vão funcionar 22 salas de ensaio, estúdio de gravação e cafés e dois restaurantes.

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