Rio, 18 (AE) - O ministro da Previdência, Waldeck Ornélas, disse hoje que vai "acabar com o caos existente nas agências do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) de São Paulo e do Rio até o fim de julho". Segundo ele, a partir do segundo semestre não haverá mais atrasos provocados por represamento de processos
o que representaria maior rapidez no atendimento e na concessão de benefícios. Ontem (17), em visita a postos do INSS de São Paulo, ele prometeu que o novo modelo de previdência que está sendo implementado permitirá que até o final de junho todos os processos de aposentadoria, recursos e revisões do Estado terão sido despachados.
"Peço aos segurados que tenham paciência até julho, quando estaremos com tudo em dia", afirmou o ministro. "Queremos recuperar a credibilidade da previdência, com mais controle social", disse hoje no Rio. Ornélas apresentou dados referentes à capital fluminense que mostram a liberação de 18.500 processos em 45 dias - restam, no entanto, 31.955. No caso dos Pagamentos Alternativos de Benefícios, a redução foi, segundo ele, de 26.500, em fevereiro, para 3.599, hoje. O prazo para a "informatização total" das 102 agências do Estado é o fim do ano.
"É um absurdo o fato de uma pessoa que deveria ir uma vez ou no máximo duas a uma agência precisar ir cinco ou dez para resolver um problema", declarou o ministro, que esteve reunido com os gerentes do INSS do Rio. Ornélas citou o caso de um segurado de São Paulo que teve seu processo abandonado por 18 anos.
Segundo ele, a partir de julho a maioria dos benefícios será resolvida no mesmo dia, e o prazo máximo para a concessão será de 45 dias, caso haja necessidade de verificação administrativa. Hoje, o tempo médio para concessão seria de 14 dias.
"Com o processo de modernização, as pessoas serão atendidas no horário marcado", prometeu o ministro. "Mas é preciso que os segurados também colaborem, deixando de usar intermediários que muitas vezes terminam roubando seus benefícios." Para Ornélas, o despachante deveria ser evitado. "Vamos tomar uma série de medidas para isso, como a exigência de procuração e o atendimento de um caso de cada vez, o que vai ser um instrumento para o combate às fraudes", disse. Ele citou o caso recente de um assassinato na agência do INSS de Petrópolis. "Foi um despachante que morreu, e suspeitamos que tenha relação com fraudes."
Ornélas disse que as investigações sobre fraudes no setor previdenciário do Rio, como o caso do "mortos-vivos", ainda não foram concluídas e não há, portanto, uma estimativa dos prejuízos. Cinco agências estão passando por auditorias. Sobre o salário mínimo, Ornélas voltou a dizer que R$ 151 é o limite, de acordo com a decisão do governo federal.

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