Rio, 31 (AE) - O ministro da Previdência Social, Waldeck àrnelas, minimizou hoje as críticas que fez ao ministro da Saúde
José Serra, em relação ao fim da isenção do pagamento de contribuição previdenciária a entidades filantrópicas que não oferecem atendimento gratuito integral. Ornélas afirmou que Serra está "desinformado ainda" sobre os números e dados das entidades filantrópicas. "Nesse caso, nem eu nem ele podemos trabalhar por estimativa, mas com dados concretos", afirmou.
"Temos o mesmo objetivo: prestar serviço à população e moralizar os caminhos da filantropia." Na semana passada, Serra e àrnelas trocaram acusações publicamente. O ministro da Saúde classificou de "sádica" a modificação na lei da filantropia, que, segundo ele, poderia provocar um fechamento de 2,5 mil leitos de alta complexidade nos hospitais ligados ao Sistema Único de Saúde (SUS). O ministro da Previdência respondeu chamando Serra de "patrono da pilantropia", "desagregador" e "egocêntrico".
A mudança no discurso de Ornélas veio um pouco antes de uma entrevista de Fernando Henrique Cardoso, concedida à Rede Banceirantes de Televisão e que será exibida à noite, em que o presidente afirma que a demissão dos ministros seria a melhor solução para pôr fim à briga. O presidente, porém, garantiu só não ter feito isso porque considera os ministros "ótimos" e acredita que as dificuldades entre os dois estão superadas.
Segundo Ornélas, existem atualmente 7 mil entidades filantrópicas no País e as 100 maiores têm, juntas, renúncia fiscal de R$ 1 bilhão. Ele garantiu que entidades como as santas casas de misericórdia e a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) continuarão tendo isenção total da cota patronal previdenciária.
"O que elas vão deixar é de servir de biombo para esconder o que a imaginação popular chamou de pilantropia, um desvio fraudulento da filantropia", afirmou.
O ministro avisou que amanhã (01) expira o prazo que as entidades dispõem para apresentar os certificados de fins filantrópicos ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). As informações serão comparadas com as que estão em poder do ministério.
"O governo não pode abrir mão de R$ 2,3 bilhões (valor total da renúncia fiscal de todas as filantrópicas do País), sem saber que fim levam estes recursos", disse. "Agora, todas as entidades terão de apresentar anualmente seu plano de trabalho assistencial." Os dados dos planos, explicou Ornélas, serão totalizados pela Secretaria Nacional de Assistência Social para que se compare as ações filantrópicas das entidades com o benefício da renúncia fiscal.
"Queremos ter um controle social desses serviços", completou. O ministro da Previdência disse que o objetivo com o levantamento a ser feito por técnicos da pasta é de acabar com os chamados benefícios cruzados - o tesouro libera verba à Previdência para cobrir o déficit e, paralelamente, repassa parte desse dinheiro para universidades e hospitais.

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