Ornélas diz que PFL aceitará valor do salário mínimo a ser fixado pelo governo
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terça-feira, 29 de fevereiro de 2000
Por Mônica Gugliano 
São Paulo, 01 (AE) - O ministro da Previdência Social, Waldeck Ornélas, afirmou hoje, em São Paulo, que o seu partido, o PFL, vai aceitar o valor que será fixado pelo governo para o salário mínimo, seja ele qual for. Embora o presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), e outros pefelistas, continuem declarando que não estão dispostos a concordar com um mínimo inferior ao equivalente a US$ 100, Ornélas disse que o governo, quando anunciar o reajuste, vai mostrar as razões da decisão. Segundo o ministro, portanto, não somente o PFL, mas os demais partidos da base (PSDB e PMDB), terão de concordar com o que for estabelecido: "O presidente já avisou que o mínimo terá um aumento real, e é isso o que todos querem."
O deputado José Carlos Aleluia (PFL-BA), relator na comissão especial da Câmara da emenda dos inativos, discorda do ministro. Segundo ele, o PFL poderá até negociar com o governo um índice de aumento para o mínimo, "mas não aprovará qualquer valor".
A decisão de conceder um aumento real, segundo Ornélas, vai exigir que o Tesouro destine mais recursos para a Previdência. Em 1999, o déficit ficou em R$ 9,4 bilhões. Por isso, o ministro reiterou que a Câmara deve acelerar a tramitação da emenda constitucional que prevê a contribuição previdenciária dos servidores inativos.
A cobrança ajudaria a reduzir o déficit do governo com o pagamento de aposentados e pensionistas. "Assim, o impacto do aumento do mínimo na Previdência seria compensado com os recursos que o governo pouparia com as pensões e aposentadorias dos servidores", explicou o ministro.
Aleluia discorda também desse ponto de vista. Ele lembrou que a comissão voltará a discutir a emenda este mês. A tramitação do texto levará pelo menos 90 dias. "O novo valor do mínimo não pode esperar pela emenda", disse o deputado.


