Ornélas diz que novo mínimo só será divulgado na segunda quinzena de abril2/Mar, 17:53 Por Clarissa Thomé e Eliane Azevedo Rio, 02 (AE) - O ministro da Previdência e Assistência Social, Waldeck Ornélas, afirmou hoje que, apesar da expectativa de que o presidente Fernando Henrique Cardoso divulgasse antecipadamente o porcentual de reajuste do salário mínimo, o novo valor só deverá mesmo ser anunciado na segunda quinzena de abril. "Não era expectativa, mas especulação", disse. "A Câmara (dos Deputados) vai querer discutir mais a matéria e a tendência é a de que fique mesmo para abril." O ministro, porém evitou cravar um valor para o mínimo ou se comprometer com os 180 reais defendidos pelo partido dele, o PFL. "Não tenho o direito de fazer especulações", afirmou, evasivo. Ornélas limitou-se a dizer que o valor do salário mínimo deveria ser "o mais alto possível" e defendeu a idéia de que o mercado, e não uma lei, é que deveria regular os ganhos do trabalhador. Ele lembrou que as simulações feitas pelo ministério com um piso de 177 reais apontam para um déficit a mais de R$ 3,03 bilhões da Previdência. A previsão para este ano é de que o déficit, sem qualquer reajuste, fique em R$ 12 bilhões. "Há um estoque de benefícios anteriores à reforma e a sociedade tem de definir como financiará o pagamento desse estoque com o aumento do mínimo", disse. O ministro esquivou-se de opinar sobre o estudo da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), segundo o qual o piso de 180 reais não teria impacto sobre a folha de pagamento das empresas do Estado. "Acho bom que os empresários façam sugestões", comentou. Ornélas disse que apenas 1,2 milhão de trabalhadores do setor privado ganham o salário mínimo, mas que dois terços dos beneficiários da Previdência - ou cerca de 12 milhões - dependem do piso salarial. Ornélas elogiou a iniciativa do governador do Rio, Anthony Garotinho (PDT), de fixar o piso salarial do funcionalismo estadual em 400 reais. "O mínimo é apenas uma referência para que não haja exploração do trabalhador", afirmou o ministro. "O empregador que pode pagar valores mais elevados deve fazê-lo." Ele não quis, no entanto, comentar se as iniciativas de Garotinho e da governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PFL), de elevar o piso, têm objetivos eleitorais. "Não me cabe fazer juízo de valor, se eles estão ou não aproveitando o movimento político", afirmou.