Porto Alegre, 25 (AE) - O ministro da Previdência Social, Waldeck Ornélas, disse hoje que os governadores do PT são "reféns do partido", referindo-se à ausência dos petistas no encontro dos governadores com o presidente Fernando Henrique Cardoso, na sexta-feira, que acertou a cobrança previdenciária dos servidores inativos. Ornélas, que esteve em Porto Alegre para participar de um encontro de procuradores do INSS, entende que o PT é "um partido congressual, para fazer discurso" e que "não quer ser governo".
Ornélas afirmou que a situação do Rio Grande do Sul em termos de comprometimento da receita com aposentados "é a pior de todos os Estados". Acentuou que o Estado consome 31% da sua receita corrente líquida com o pagamento de aposentadorias, o que representaria um terço do ICMS arrecadado. "Será que é justo?", indagou.
Em resposta, o vice-governador gaúcho Miguel Rossetto disse que não reconhece autoridade em Ornélas para criticar o governador Olívio Dutra e a decisão de não comparecer ao encontro de Brasília com FHC. "O ministro deve responder sobre os atos do governo federal e de seu partido, o PFL", assinalou. Garantiu que o governo estadual está discutindo uma proposta que viabilize o Instituto de Previdência do Estado/RS (IPE/RS).
Para o vice-governador, o debate sobre a previdência "exige seriedade, responsabilidade e compromissos com os trabalhadores aposentados, do setor público ou privado". A seu ver, esta é uma conduta "que o governo federal não demonstrou nos últimos quatro anos".
No domingo, o Encontro Estadual do PT - que reelegeu o atual presidente do partido, Júlio Quadros, com o apoio de Olívio - aprovou uma resolução rejeitando a cobrança dos inativos.

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