Ornélas cobra contribuição de inativos em troca de salário mínimo de US$ 100
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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2000
Por Gerson Camarotti 
Brasília, 15 (AE) - O ministro da Previdência, Waldeck Ornélas (PFL), apoiou hoje um salário mínimo de US$ 100 se o Congresso aprovar a contribuição dos funcionários inativos. "Se for aprovado o desconto dos inativos, o salário mínimo pode ser muito mais de 100 dólares", disse o ministro pefelista. Ele, porém, não apresentou nenhum estudo sobre a viabilidade de sua proposta. Na semana passada, Ornélas havia criticado a discussão do tema alegando que primeiro era preciso fazer o ajuste das contas públicas. "A Previdência não quebra nunca; o que quebra é o Tesouro", disse. A nova posição do ministro da Previdência foi elogiada pelo deputado Luiz Antonio de Medeiros (PFL-SP), autor da proposta. "O Ornélas está evoluindo", disse o parlamentar. Já o líder do governo, deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP), disse que o clima no Congresso é desfavorável à aprovação da emenda da cobrança dos inativos. Mas vê "consistência" na proposta de Ornélas.
"Com os recursos dos inativos, o déficit da Previdência acabará diminuindo e isso permitirá uma folga no caixa para aumentar o mínimo", ponderou. "De repente, quem sabe não colocaríamos os R$ 4 bilhões do Fundo da Pobreza na Previdência e com isso poderíamos ter mais recursos para aumentar o mínimo"
brincou.
Apesar da manifestação de Ornélas, o governo diz que só discutirá o tema em abril. "Não adianta dar um aumento para o salário mínimo e depois aparecer a inflação e corroer o valor do reajuste", ponderou o ministro-chefe da Casa Civil, Pedro Parente. "Temos a preocupação de dar o maior aumento possível; mas isso não pode ser apreciado sem analisar as consequências para a Previdência, Estados e municípios."
Argumento semelhante foi utilizado pelo ministro do Orçamento e Gestão, Martus Tavares. "Dependendo do porcentual de reajuste, pode ser que o novo valor do mínimo atinja alguns Estados e municípios", explicou Martus, depois de questionado sobre o risco do aumento do salário para o cumprimento das metas estabelecidas na Lei de Responsabilidade Fiscal.
Apesar da resistência do governo, foi confirmado para a próxima terça-feira o encontro entre parlamentares do PFL e o ministro da Fazenda, Pedro Malan, para discutir as propostas do partido sobre o aumento do mínimo. "Mesmo que o governo insista em só discutir esse tema em abril, não será inócuo o encontro com Malan; afinal ele é que é o ministro da Fazenda e é quem decidirá o aumento", argumentou o senador José Jorge (PFL-PE), presidente da comissão criada pelo partido para discutir o assunto. "Uma coisa é certa: no momento em que o PFL entrou nesse debate, esse tema começou a virar realidade e com certeza o aumento será maior do que o do ano passado e superior ao que havia sido imaginado anteriormente", completou José Jorge.


