Ornélas ataca Serra por críticas ao fim da isenção previdenciária
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quarta-feira, 26 de maio de 1999
Por Diana Fernandes e Sandra Sato 
Brasília, 27 (AE) - O fim da isenção previdenciária para as entidades filantrópicas da área de saúde que não dedicam mais de 60% de sua capacidade ao atendimento de pacientes do SUS acirrou a disputa entre pefelistas e tucanos dentro do governo. O ministro da Previdência, Waldeck Ornélas (PFL), chamado de sádico pelo colega José Serra (PSDB), por ter adotado esta medida, disse hoje que o ministro da Saúde é "egocêntrico, desagregador e patrono da pilantropia", além de não se dedicar ao estudo de sua área para apresentar soluções".
O ministro Serra, por meio de sua assessoria de imprensa, propôs um acordo a Ornélas. "Ele corrige o seu erro e me ajuda a preservar os leitos e então poderá dizer que sou o responsável pela submersão do continente de Atlântida ou pelo naufrágio do Titanic". Serra ainda acusa Ornélas de não entender o essencial: "O problema da população não é saber quais defeitos eu tenho, é manter em funcionamento leitos gratuitos para a população mais pobre."
Tecnicamente, o ministro da Previdência justifica o fim da isenção como uma ação moralizadora da filantropia. "Se a entidade filantrópica não atende pessoas carentes, dentro do SUS
não precisa mais da isenção da previdência e este dinheiro o governo pode usar em outras ações sociais, como a do crédito educativo, por exemplo", disse o ministro, após a cerimônia de hoje no Planato para o lançamento do novo crédito educativo.
Ornélas lembra que estão sendo excluídos do benefício apenas 20% dos hospitais conveniados, porque não comprometem 60% de seu atendimento com pacientes do SUS. Mas Serra garante que esse grupo responde por metade do número de internações de pacientes pobres que necessitam de atendimento de alta complexidade, como transplantes. "Vamos deixar de atender de 650 mil a 1,5 milhão de internações anualmente", prevê Serra.
Ornélas queria que Serra seguisse o exemplo de outro ministro tucano."Em vez de construir soluções como o ministro Paulo Renato, José Serra, que não conhece e não estuda os problemas da sua área, desagrega; é um egocêntrico, que pensa que o governo deve girar em torno dele e não em torno do presidente da República", disse o pefelista baiano. Ornélas disse ainda que o ministro da Saúde, que, segundo ele, já criou muitos problemas para o governo na área econômica, está, agora, querendo criar problemas na área social.


