Brasília, 10 (AE) - O ministro da Previdência Social, Waldeck Ornélas, disse há pouco que o partido dele, o PFL, foi mal-interpretado na questão do salário mínimo. Ornélas distribuiu nota assinada pelo presidente nacional do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), em que ele afirma que o partido, com responsabilidade, reconhece as necessidades do trabalhador brasileiro, mas também está consciente das repercussões do reajuste do mínimo, principalmente nas contas da Previdência e dos governos estaduais e municipais. Segundo a nota, o assunto está a cargo de uma comissão constituída pelo senador José Jorge (PFL-PE) e dos deputados Wilmar Rocha (PFL-GO), Werner Wanderer (PFL-PR) e Luís Antônio de Medeiros (PFL-SP). Ornélas afirmou que Medeiros, o autor da proposta de um mínimo de US$ 100, está agindo mais como líder sindical que como deputado do PFL. O ministro disse ainda que a Previdência não está estudando a questão do salário mínimo agora. "Quem tem de estudar é o Ministério da Fazenda", argumentou. "A Previdência não é o algoz do salário mínimo." Segundo Ornélas, o salário mínimo foi de US$ 100 em 1995, e não o é mais por conta da desvalorização cambial do início de 1999. "O que não pode é ajustar o salário mínimo pelo câmbio", ponderou, lembrando, por outro lado, que "a Previdência não quebra, em hipótese nenhuma, porque recebe socorro do Tesouro". "Quem quebra é o Tesouro." Ornélas reafirmou que o País precisa equilibrar as contas públicas. Opinou ainda que ajudaria muito haver um salário mínimo maior, se o Congresso aprovasase rapidamente a contribuição dos inativos do serviço público. Ele lembrou que essa medida desafogaria o Tesouro porque, no fundo, "quem paga o servidor público é o Tesouro, que aporta recursos para a Previdência Social".

mockup