Orkut facilita golpe do sequestro
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sexta-feira, 28 de abril de 2006
Andréa Bertoldi<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Uma ligação a cobrar feita de um celular. É assim que começa a ação dos golpistas do seqüestro por telefone que tem atingido cada vez mais vítimas. Usando o telefone, as quadrilhas tiram dinheiro de quem acredita que um parente está sendo seqüestrado. As vítimas são escolhidas aleatoriamente e as ligações geralmente partem de telefones com prefixo do Rio de Janeiro, São Paulo ou dos Estados do Nordeste. De acordo com a delegada adjunta da Delegacia de Estelionato e Desvio de Cargas, Vanessa Alice, este tipo de golpe tem aumentado nos últimos dois meses. Estamos intensificando as investigações em função do grande número de golpes do seqüestro, disse ela.
O delegado do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), Marcus Michelotto, disse que são registrados de um a dois casos por dia de falso seqüestro em Curitiba. Segundo o delegado, muitos dados das vítimas são retirados do site do Orkut. As pessoas costumam colocar muitas informações no site que as identificam como nome, endereço residencial, telefone, local de trabalho e e-mail.
Levantamento realizado pela delegada Vanessa Alice, a pedido da Folha, mostra que nos meses de março e abril foram registrados 34 casos de falso seqüestro, o que equivale a um caso a cada dois dias. A delegada explicou que estes são apenas as ocorrências das pessoas que procuram a Estelionato, os distritos policiais e as denúncias anônimas feitas à Central de Polícia (Cepol). Os números mostram a evolução do golpe na Capital. Em dezembro de 2005, a Delegacia de Estelionato tinha registrado um Boletim de Ocorrência sobre o assunto. Em janeiro, foram dois e em fevereiro quatro.
S.Z. foi vítima dos golpistas recentemente. Os pais dele receberam uma ligação a cobrar e a pessoa que estava do outro lado da linha se identificou como sargento do Corpo de Bombeiros e disse que tinha acontecido algo muito grave com S.Z..
Em seguida, os bandidos disseram que tratava-se de um seqüestro-relâmpago e que, se os pais de S.Z. quisessem vê-lo vivo deveriam depositar R$ 15 mil em uma conta. Depois eles continuaram negociando o valor até chegar ao pedido da libertação de S.Z. em troca de créditos de celular.
O meu irmão ligou para mim. Eu estava trabalhando mas tive que ligar de outro telefone porque o meu irmão pensou que eu poderia estar sob pressão dos ladrões, contou. S.Z. disse que a mãe dele desmaiou e o pai começou a chorar. Um amigo do meu primo, que é advogado acreditou que a filha dele teria sido seqüestrada e pagou R$ 5 mil no prazo de 15 minutos, disse.


