Curitiba- Uma ligação a cobrar feita de um celular. É assim que começa a ação dos golpistas do seqüestro por telefone que tem atingido cada vez mais vítimas. Usando o telefone, as quadrilhas tiram dinheiro de quem acredita que um parente está sendo seqüestrado. As vítimas são escolhidas aleatoriamente e as ligações geralmente partem de telefones com prefixo do Rio de Janeiro, São Paulo ou dos Estados do Nordeste. De acordo com a delegada adjunta da Delegacia de Estelionato e Desvio de Cargas, Vanessa Alice, este tipo de golpe tem aumentado nos últimos dois meses. ‘‘Estamos intensificando as investigações em função do grande número de golpes do seqüestro’’, disse ela.
  O delegado do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), Marcus Michelotto, disse que são registrados de um a dois casos por dia de falso seqüestro em Curitiba. Segundo o delegado, muitos dados das vítimas são retirados do site do Orkut. As pessoas costumam colocar muitas informações no site que as identificam como nome, endereço residencial, telefone, local de trabalho e e-mail.
  Levantamento realizado pela delegada Vanessa Alice, a pedido da Folha, mostra que nos meses de março e abril foram registrados 34 casos de falso seqüestro, o que equivale a um caso a cada dois dias. A delegada explicou que estes são apenas as ocorrências das pessoas que procuram a Estelionato, os distritos policiais e as denúncias anônimas feitas à Central de Polícia (Cepol). Os números mostram a evolução do golpe na Capital. Em dezembro de 2005, a Delegacia de Estelionato tinha registrado um Boletim de Ocorrência sobre o assunto. Em janeiro, foram dois e em fevereiro quatro.
  S.Z. foi vítima dos golpistas recentemente. Os pais dele receberam uma ligação a cobrar e a pessoa que estava do outro lado da linha se identificou como sargento do Corpo de Bombeiros e disse que tinha acontecido algo muito grave com S.Z..
  Em seguida, os bandidos disseram que tratava-se de um seqüestro-relâmpago e que, se os pais de S.Z. quisessem vê-lo vivo deveriam depositar R$ 15 mil em uma conta. Depois eles continuaram negociando o valor até chegar ao pedido da libertação de S.Z. em troca de créditos de celular.
  ‘‘O meu irmão ligou para mim. Eu estava trabalhando mas tive que ligar de outro telefone porque o meu irmão pensou que eu poderia estar sob pressão dos ladrões‘‘, contou. S.Z. disse que a mãe dele desmaiou e o pai começou a chorar. ‘‘Um amigo do meu primo, que é advogado acreditou que a filha dele teria sido seqüestrada e pagou R$ 5 mil no prazo de 15 minutos’’, disse.

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