Sem informações estatísticas sobre a origem das armas apreendidas em Londrina nas ocorrências de crimes contra a vida, o jeito é confiar na experiência dos que atuam na área de segurança pública e de Justiça. A Folha ouviu algumas dessas autoridades e apurou que não há um ponto de vista consensual: a Polícia Civil disse que boa parte das armas apreendidas é de calibre permitido mas com numeração raspada, indicando que seriam legais mas foram parar na mão de criminosos. A Polícia Militar afirmou que não há uma procedência padrão, ou seja, parte é legal e outra parte ilegal. O Ministério Público apontou que, na maioria dos processos analisados, as armas apreendidas são ilegais.
A situação é semelhante ao que acontece entre as duas frentes parlamentares que debatem o assunto: os partidários do ''Sim'' afirmam que os bandidos roubam as armas que pertenciam a pessoas de bem, enquanto os partidários do ''Não'', dizem que as armas envolvidas em crimes são, em sua maioria, compradas ilegalmente pelos marginais.
O delegado-chefe da 10 Subdivisão Policial, Jurandir Gonçalves André, analisou que boa parte das armas usadas em crimes no município é de calibre permitido - revólveres 38 e pistolas 380 - mas tem sua numeração suprimida. Isso seria um ''indicativo claro'' de que teriam sido compradas de forma legal mas foram furtadas ou roubadas por criminosos e usadas em atos criminosos. O 5º Batalhão da Polícia Militar, por sua vez, disse que não há um padrão na origem das armas apreendidas. São retidas tanto armas compradas legalmente quanto ilegais.
A promotora da 1 Vara Criminal de Londrina, Susana Feitosa de Lacerda, observou que também não dispõe de dados estatísticos mas sua convicção é de que ''a maioria esmagadora são armas ilegais''. Ela, que já atuou nas comarcas de Foz do Iguaçu e Guaíra, cidades próximas ao Paraguai, lembra que os fabricantes brasileiros exportam para outros países os mesmos modelos de armas vendidos aqui e muitas delas podem ter cruzado a fronteira e retornado ilegalmente ao País.
No tocante às armas registradas no Brasil, dados do Sistema Nacional de Armas da Polícia Federal indicam que o Paraná está atrás apenas de São Paulo em números absolutos. Enquanto o estado vizinho tem mais de 3,6 milhões de armas legalizadas, no Paraná existem 467.085. E a tendência de legalização foi confirmada pela Delegacia da Polícia Federal em Londrina. A agente administrativo do setor de porte de armas, Ana Célia Tavares, revelou que de setembro em diante mais de 100 pessoas já entraram com pedidos de registro de armas. Em 90% dos casos, segundo ela, são policiais que possuem armas particulares em casa.

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