São Paulo - Minorias aqui e acolá podem espernear, mas não tem jeito. Estética e elegância entraram para a ordem do dia. Tanto faz o ambiente, pode ser requintado, pode ser popular. O que se pretende é impressionar com o visual. Mulheres de qualquer idade - até as pequerruchas - são as mais engajadas, daí a sedução dos saltos altos!
O ideal, porém, é ''pegar leve'' no entusiasmo quando parte de garotinhas e mocinhas. Ninguém nega que hoje em dia está difícil conter os ímpetos infantis, mas o educador tem de fazer sua parte, especialmente os pais que por vezes arredam pé diante da insistência dos filhos.
''De vez em quando, deixo Leilane usar a sandalinha plataforma que ela me torrou a paciência para comprar'', admite Mariana Azeredo, 42 anos, lojista de Itanhaém, cidade do litoral paulista. A comerciante revela ainda preocupação com o uso desse calçado pela filha que tem apenas 9 anos. ''No meu tempo, salto alto só depois dos 15 anos e olhe lá.''
Administrar o desejo das crianças é tarefa também de profissionais. Verônica Vianna, ortopedista responsável pelo setor de cirurgia do pé do Instituto Nacional de Traumato-Ortopedia, no Rio de Janeiro, conta que sua filha pequena pede para usar salto. ''Não adianta ser radical, é inviável, então é preciso bom senso para tentar o mínimo de uso possível do salto alto.''
Os colegas de São Paulo endossam. Moisés Cohen, que dirige o Instituto Cohen de Ortopedia, Reabilitação e Medicina do Esporte, diz que ''ninguém vai ser démodé, entretanto, o uso deve ser racional''. Samir Salim Daher, ortopedista e presidente da Sociedade Paulista de Esporte, ratifica. ''Quando se vai para uma festinha não tem problema e, até a adolescência, é comum que algumas fiquem descalço depois de algumas horas para se divertir mais à vontade.''
Os três especialistas concordam que adultos ainda conseguem ter mais influência sobre as crianças. E que a situação se complica com as adolescentes. Elas, em geral, batem o pé para usar salto na escola, no shopping, no passeio, enfim, o tempo todo.
O salto alto requer mudança na sequência natural da marcha, explica Cohen. ''Cada passo que a gente dá começa com a fase do ataque, quando o calcâneo vai para o chão, seguida pela do apoio, quando se firma a planta do pé, e depois vem o arranque, com o antepé dando impulso para o passo seguinte'', descreve o ortopedista.
Virar o pé e comprometer o tornozelo se comprovam como experiências recorrentes para quem usa salto alto. Existe ainda a questão da panturrilha que, quando o organismo está em formação, pode ter seu músculo encurtado pelo esforço exigido por sandálias e tamancos altos.
Verônica Vianna acrescenta que também a força excessiva no antepé, imposta pelo salto, costuma causar metatarsalgia. ''É uma dor na região de apoio antes dos dedos'', detalha. O especialista Daher observa que, no caso das plataformas, o solado anterior também é maior. ''Com isso, o pé fica na mesma posição linear e não vai exigir elevação, o que pode levar a uma lordose lombar.''

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