Orientação deve vir dos pais
Não basta informação para que o adolescente use preservativo. Na opinião de especialistas ouvidos pela Folha, é preciso sensibilizar o jovem para uma sexualidade bem resolvida e responsável.
Para o hebiatra Walter Marcondes Filho, não adianta fazer palestras informativas, que ''não atingem o adolescente''. Segundo ele, dinâmicas com uma linguagem direcionada para os jovens, onde eles também participam e contribuem, funcionam melhor. ''O jovem só vai ser atingido se o profissional de saúde não colocar para ele a sua verdade e falsos moralismos'', afirma.
Marcondes Filho defende que a orientação sexual também deve vir dos pais e da escola. ''Os pais devem conversar com os filhos sobre sua própria sexualidade e não esperar perguntas deles para falar, por exemplo, da primeira menstruação'', afirma o médico.
''O jovem deve ser informado corretamente sobre sexo, sem omissão nenhuma, mas sem aquela coisa simplista de falar só de órgãos reprodutivos. Ele precisa saber que sentir tesão não é feio e que pode administrar suas vontades'', avalia Silvana Gomes dos Santos, coordenadora de assistência da Associação Londrinense Interdisciplinar de Aids (Alia).
Não adianta também o jovem chegar no posto de saúde para pegar camisinha, sem funcionários que estejam preparados para atendê-lo. Se o profissional pergunta porque ele quer o preservativo ou emite algum juízo de valor (comentando, por exemplo, que ele é jovem demais para usar camisinha), o adolescente não volta mais.
Segundo o enfermeiro Edvilson Cristiano Lentine, do programa de DST/Aids, essa é uma das grandes dificuldades -preparar profissionais para atender o adolescente e não afastá-lo do atendimento. ''O despreparo desse profissional vem desde a faculdade, com uma formação não direcionada para a sexualidade. Quando chega no posto um adolescente com 13, 14, 15 anos para pegar preservativo, o profissional se assusta'', ressalta.
Lentine lembra que, desde 2004, médicos, enfermeiros e auxiliares de enfermagem dos postos de saúde vem passando por capacitação para trabalhar com adolescentes. Essa capacitação inclui aconselhamento em DST e HIV/Aids, já que os exames de Aids também podem ser feitos nos postos.(C.P.)





