Orientação correta é fundamental
A analista de recursos humanos Jeane de Paula Liuti, 34 anos, planejou nos mínimos detalhes a gravidez da filha Larissa, hoje com quase seis meses. Apenas a vontade de ter um parto humanizado e amamentar exclusivamente até os seis meses, como preconizam as mais atuais regras relativas à saúde dos recém-nascidos, não foi suficiente para que os primeiros dias de vida da bebê transcorressem a contento. Depois de um trabalho de parto de mais de 24 horas, Jeane teve que se submeter a uma cesariana de emergência. Quando começou o processo de amamentação, a filha teve dificuldades em "pegar o peito", o que acabou causando um quadro que quase chegou à desnutrição.
Jeane poderia ter desistido, diante da insistência de médicos e familiares para oferecer fórmulas artificiais à filha. Com informações sobre a importância de amamentar, ela não se contentou com as orientações do pediatra de um plano de saúde e procurou a Unidade Básica de Saúde (UBS) do Aquiles Stenguel, onde foi orientada a seguir a cartilha de amamentação da Pastoral da Criança e ainda recebeu acompanhamento das voluntárias. "Descobri que a Larissa mamava errado. Comecei a tratar a rachadura causada pela 'pega errada' e, em pouco tempo, já estava amamentando tranquilamente. Depois disso ela passou a ganhar peso, não teve mais cólicas e dormia à noite", comemora.
Diante da experiência, Jeane garante que apenas a vontade da mãe não é suficiente para levar adiante os cuidados que vão garantir saúde às crianças pelo resto da vida. "Precisa de informação e apoio para a família", comenta ela, que se prepara para enfrentar o maior dilema das mães trabalhadoras. Sem direito à licença-maternidade de seis meses, ela retornará ao trabalho próximo da filha completar esta idade apenas porque conseguiu negociar férias com a empresa.
Larissa ficará com a avó materna por um tempo, pois a mãe não conseguiu encontrar uma escola adequada com berçário para bebês tão pequenos. "Os que existem são caríssimos, não temos condição de bancar", diz.
Por conta de todos estes percalços, ela vai antecipar em alguns dias a introdução da alimentação na dieta de Larissa. "Não é o recomendável, mas preciso trabalhar para garantir uma vida melhor à minha filha. Tenho certeza que fiz o meu melhor nestes primeiros meses de vida", comenta. (C.A.)





