Orientação ajuda a abandonar o cigarro
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sábado, 26 de maio de 2001
Fabiane Leite Agência FolhaDe São Paulo 
Se você quer parar de fumar, não faltarão incentivos para cumprir a promessa nesta semana, quando será comemorado, na próxima quinta-feira, o Dia Mundial Sem Tabaco.
A tentativa solitária de deixar o cigarro, no entanto, dá certo em apenas 5% dos casos, segundo dados norte-americanos. Os sintomas da abstinência da nicotina, como ansiedade, irritação, depressão e aumento do apetite podem aparecer oito horas após a última tragada.
De acordo com o coordenador da Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas (Uniad) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Ronaldo Laranjeira, 70% dos fumantes apresentam desconforto relacionado à abstinência, daí se origina a necessidade de uma orientação.
A Associação Brasileira de Psiquiatria concluiu neste mês o primeiro consenso sobre tratamento da dependência de nicotina. O documento faz parte do Guia Nacional de Prevenção e Tratamento do Tabagismo, que será lançado nesta semana no Rio de Janeiro com a colaboração de nove entidades médicas e também do governo federal.
O Ministério da Saúde vem investindo pesado na prevenção, combatendo a propaganda tabagista, por exemplo, mas o Sistema Único de Saúde (SUS) ainda não cobre terapias como a da reposição de nicotina.
O Instituto Nacional de Câncer (Inca), que é o responsável pelo programa antitabagista do ministério, está preparando uma pesquisa para avaliar o custo-benefício dos remédios. Quem fuma há 20, 30 anos não pára por causa do fim da propaganda, disse Laranjeira.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) apontou em 1999 que 34 milhões de mortes relacionadas ao tabaco poderiam ser evitadas entre 2000 e 2024 se adultos e jovens parassem de fumar.
Parar de fumar dá medo. Parece que vai desabar o mundo emocional, afirmou o coordenador do centro de tratamento para dependentes de nicotina da Beneficência Portuguesa de São Paulo, Ciro Kirchenchtejn.
A nicotina transforma a fisiologia do cérebro, agindo principalmente na região que controla o prazer. Na falta da droga, aparecem os sintomas.
O consenso aprova os programas que orientam o fumante a se preparar para seu dia D, quando irá iniciar a abstinência do cigarro. Precisa dar chance para o cérebro voltar ao normal, afirmou Kirchenchtejn.
De acordo com a coordenadora do Grupo de Apoio ao Tabagista (GAT) do Hospital do Câncer de São Paulo, Maria Teresa Lourenço, a terapia de reposição de nicotina, também priorizada no consenso, dá conforto e traz prejuízo menor. O fumante fica, assim, livre das substâncias prejudiciais presentes na fumaça.
Algumas pessoas precisam da ajuda de antidepressivos para se livrar do cigarro. De acordo com o consenso, o Zyban é o melhor medicamento nesse tratamento. No entanto, ele pode ser tomado somente sob orientação médica.
A combinação das três terapias faz aumentar as chances de sucesso. No serviço do Hospital do Câncer, os tratamentos dão certo em 25% dos casos.


