Em informe enviado à redação da Folha, a diretoria de administração e finanças do Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (DNIT), que substituiu este ano o extinto Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER) na manutenção das rodovias federais, admite que as estradas sob responsabilidade da União estão em mal estado. ''Mas tudo isso decorre dos minguados recursos que são destinados para o setor (de transportes) atualmente'', explica o informe.
Em 2001, o então DNER gastou R$ 3,33 bilhões em investimentos para transportes, dos quais R$ 2,31 bilhões foram destinados exclusivamente a rodovias. Cerca de 60% dos recursos são gastos em programas de manutenção, restauração e conservação. No documento, a DNIT informa que seria necessário dispender R$ 6 bilhões nos próximos seis anos apenas em restauração de trechos não-concessionados dos 50.647 quilômetros de rodovias federais em todo o Brasil, para que todas as estradas adquirissem o status ''bom'', sendo que o governo gastou apenas R$ 2 bilhões neste serviço desde 1996.
Como resultado, 30,1% do total de estradas federais (incluindo-se as concessionadas) estão em bom estado de conservação, 30,2% em condições regulares e 39,7% em péssimas condições. ''As regiões que apresentam rodovias em piores estados são a Nordeste (46,4% de rodovias ruins), seguida pela Centro-Oeste (46,3%) e Norte (45,3%)'', explica o informe.
Entre os estados, o Pará é o campeão do abandono, com 2,4% de estradas federais em estado regular e impressionantes 97,6% em estado ruim. Em segundo, vem o Mato Grosso, com 3,8% de rodovias em bom estado, 44,2% regulares e 52% ruins. Os melhores são o Paraná (73,9% em bom estado) e São Paulo (73,8% de rodovias em bom estado).
Em 2001, o Paraná recebeu R$ 116,99 milhões para investimento em rodovias federais; para este ano, o valor acordado no Orçamento prevê a liberação de R$ 158,88 milhões. Entre as obras realizadas no Estado, o DNIT destaca melhorias no contorno rodoviário do Corredor Mercosul (BR-163), em Cascavel, adequação de trechos na BR-116, na divisa com São Paulo, e a construção do contorno leste de Curitiba (BR-116).
Em todo o Brasil, estão previstos investimentos de R$ 3,02 bilhões apenas em rodovias federais, dos quais muitos, infelizmente, ainda não saíram do papel apenas R$ 1,66 bilhões foram aplicados. ''A aplicação de recursos aprovados pelo orçamento ainda é condicionada pela liberação de limites de aplicação de recursos, que muitas vezes só são liberados no final do ano'', diz o informe.

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