Organizadores do Carnasampa vão recorrer à Justiça para garantir realização do evento
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segunda-feira, 13 de setembro de 1999
Por Marcus Lopes 
São Paulo, 14 (AE) - Os coordenadores do Carnasampa devem entrar com um mandado de segurança com pedido de liminar para garantir a realização do evento, no próximo fim de semana, na Avenida águas Espraiadas, na zona sul. Hoje, o prefeito Celso Pitta (PTN) afirmou que a micareta só poderá ser realizada no local caso haja autorização da população que vive nos bairros próximos à avenida.
Hoje, os coordenadores do Carnasampa estiveram reunidos com o secretário do Governo Municipal, Carlos Augusto Meinberg. Segundo eles, ontem Meinberg solicitou autorização dos presidentes dos Grupos de Apoio Comunitário (GAC) do Jabaquara e Santo Amaro. As duas entidades civis representam várias associações de moradores da zona sul da capital. De acordo com os coordenadores, a autorização foi obtida, mas foi recusada por Meinberg em reunião realizada hoje de manhã, na Prefeitura.
"O secretário alegou que era necessária a assinatura de todos os membros do GAC Jabaquara", disse o coordenador do Carnasampa, Luis Carlos Adan. Amanhã (15), ele e a presidente da Advice, Aparecida de Oliveira, tentarão uma audiência com Pitta, no Palácio das Indústrias. A Advice é a empresa que promove o Carnasampa. Sambódromo - Hoje, o prefeito afirmou que a Prefeitura colocou o Sambódromo do Anhembi à disposição para realização da micareta. "O Sambódromo é muito mais apropriado que a Avenida águas Espraiadas", disse o prefeito. A transferência foi descartada por Adan e Aparecida. "No Sambódromo cabem 30 mil pessoas, enquanto o Carnasampa costuma reunir três milhões de foliões nos dois dias", alegou Adan. "Caso não haja um acordo devemos apelar para uma liminar", disse Adan.
Segundo ele, caso a liminar não seja concedida, a micareta pode ser cancelada. Nesse caso, o prejuízo pode ultrapassar os R$ 15 milhões, segundo o advogado da Advice, Lindolfo Renelli. "Temos de pensar que isso pode prejudicar o evento nos próximos anos", justificou o advogado. Até hoje, já haviam sido vendido cerca de 3,9 mil abadás - roupa que permite ao folião brincar dentro dos blocos que acompanham os trios elétricos. "É muito estranho que tudo isso esteja acontecendo"
disse Adan.
Na semana retrasada, os coordenadores receberam um telefona anônimo ameaçando a organização da micareta. "Eles disseram que o Carnasampa ia custar muito caro para nós", disse Adan. "Não demos muita importância, pois achamos que era apenas um trote", completou. Dias depois, no dia 9, o prefeito publicou no Diário Oficial despacho indeferindo a autorização para realização da micareta. No despacho, Pitta alega que a Advice não apresentou todos os documentos necessários para a liberação do Carnasampa e que as comunidades locais tinham se posicionado contra o evento.
"Providenciamos os mesmos documentos exigidos no ano passado", defendeu Adan, exibindo cartas da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), Comando de Policiamento de Trânsito (Cptran), Polícia Militar e Corpo de Bombeiros. Segundo Aparecida, os laudos definitivos não foram emitidos pelos órgãos competentes porque a Prefeitura indeferiu o pedido de autorização do uso da avenida. Segundo o secretário de Comunicação Social, Antenor Braido, o prefeito e o secretário Meinberg já haviam solicitado desde a semana passada a assinatura de todos os membros dos GACs no documento para a liberação da Avenida águas Espraiadas.


