Organizadores da marcha são multados por causa de lixo
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quinta-feira, 26 de agosto de 1999
Por Sandra Sato 
Brasília, 27 (AE) - Os organizadores da Marcha dos 100 Mil foram multados hoje em R$ 5 mil por causa do lixo largado pelos manifestantes na Esplanada. "Eles foram autuados por sujar área pública sem autorização", justificou o diretor de operações do Serviço de Limpeza Urbana (SLU), Expedito Apolinário Silva, ao informar que foram recolhidas 70 toneladas depois do protesto de ontem (26).
Considerando a estimativa da Secretaria de Segurança Pública de que no máximo 40 mil manifestantes teriam participado da marcha, cada pessoa teria deixado 1,75 quilo. "Papel não pesa tanto e não tinha marmitex", desconfia presidente da Central Única dos Trabalhadores no Distrito Federal, José Zunga Alves de Lima, que recorrerá da punição na segunda-feira (30).
Lima exigirá também que a Monday Monday, patrocinadora da Micarêcandanga (o carnaval fora de época), e a Confederação Nacional da Agricultura, organizadora da manifestação dos ruralistas - duas atividades com público expressivo anteriores à Marcha- comuniquem ao Ministério Público se também tiveram de pagar pelo lixo deixado em área pública.
O presidente da CUT quer comprovar a tese de discriminação e acusará o governo do Distrito Federal de ter agido "deliberadamente" para que a sujeira se instalasse e então punir os patrocinadores do ato contra o governo Fernando Henrique Cardoso.
Apolinário informou que o SLU instalou 45 latões de 200 litros cada um, todos no Teatro Nacional, local de estacionamento de parte dos ônibus que trouxeram os manifestantes estacionou. E que os latões foram encontrados vazios e virados. Em nenhuma outra parte da Esplanada havia latões do SLU.
Os manifestantes também desrespeitaram recomendações - de não jogar lixo no chão e carregar sacola plástica para depositar o material usado - que constava da cartilha distribuída a eles.
ROTINA - Depois de ser palco da manifestação dos ruralistas
durante uma semana, e da Marcha dos 100 Mil, a Esplanada dos Ministérios voltou hoje à rotina. Os carros puderam circular normalmente nas seis pistas existentes de um lado e de outro do canteiro central. Quando estavam em Brasília, os ruralistas estacionaram caminhões e tratores numa faixa de cada lado do Eixo Monumental. E, quarta-feira passada, chegaram a invadir outras duas pistas enquanto um agricultor revoltado incendiava o seu trator.
Os resquícios da Marcha eram observados apenas na proximidade do Congresso, onde 20 homens reparavam o gramado por ordem do presidente da Casa, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA). "Esse gramado está muito judiado", disse ACM ao diretor-geral do Senado, Agaciel Maia, a quem pediu reparos. "Metade dessa área de 17 mil metros quadrados ficou só no barro", comentou Maia. O espelho de água do Congresso, onde os manifestantes tomaram banho e desafiaram o cordão de policiais postado em frente, tinha "quatro dedos" de sujeira deixada pelos manifestantes, conforme Maia. O laguinho foi esvaziado para limpeza.


