Organizador de festa foi avisado dos riscos, afirmam testemunhas
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segunda-feira, 30 de agosto de 2004
Agência Folha 
O proprietário do prédio cujo pisou desabou no sábado, durante uma festa, em Guarulhos (SP), e os dois organizadores do evento ainda não foram localizados pela polícia para prestar esclarecimentos sobre o acidente, que resultou na morte de seis jovens e deixou 132 feridos.
Um dos organizadores, identificado apenas como Mota, foi avisado dos riscos de desabamento e, mesmo assim, insistiu em continuar a festa, segundo disseram à polícia um bombeiro civil e o chefe da equipe de segurança contratados para o evento. Eles não aceitaram que os seus nomes fossem divulgados.
''Os dois queriam paralisar a festa no mezanino para que as pessoas fossem para o pavimento térreo, mas Mota negou e disse que tinha um alvará atestando a segurança do local'', disse o delegado William Grande, do 1º Distrito Policial de Guarulhos. O prédio, porém, não tinha licença da prefeitura nem para ser construído nem para funcionar, assim como também faltava um auto de vistoria do Corpo de Bombeiros.
O bombeiro que prestou depoimento ontem era civil e disse ter chegado ao local pouco antes de o evento começar. Segundo ele, não havia extintor de incêndio e as saídas de emergência eram poucas e estavam bloqueadas.
Cerca de dez pessoas prestaram depoimento ontem, segundo o delegado. De acordo com as testemunhas, a organização da festa foi feita por Mota e Heric Fabiano Dias. Segundo a prefeitura, que embargou a construção do prédio em 2000, a obra está registrada no nome do comerciante Wilson Gonçalves.
Segundo representantes do Crea (Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia), a laje não era suficientemente reforçada para permitir o trânsito de pessoas sobre ela. ''Quando vi o local, até pensei em desistir, mas o Heric insistiu muito e concordei'', disse José Fernando Ribert, 52, que alugou o equipamento de som e de iluminação para a realização da festa. ''Perdi tudo o que tinha, mas saí vivo.'' Entre os feridos, cinco continuam em estado grave. Para Ribert, a prefeitura também deve ser responsabilizada, por não ter proibido o evento. ''A festa foi divulgada. Todos sabiam.''
Segundo Elson Roberto de Souza, diretor do departamento de controle urbano de Guarulhos, a prefeitura só soube da festa após o desabamento do piso. ''A divulgação foi feita principalmente entre estudantes'', afirmou.
Apesar de dizer que já tem indícios suficientes para pedir a prisão temporária de Dias e Gonçalves, o delegado disse que não indiciou ninguém e que deve esperar o comerciante e os organizadores até o fim desta semana. ''É um prazo inicial para colhermos todas as informações e delimitarmos a
responsabilidade deles.''


