Organizações pedem proteção para lideranças do MST
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quinta-feira, 25 de outubro de 2007
Fábio Galão<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Organizações de direitos humanos e movimentos sociais apresentaram ontem ao Ministério Público de Cascavel e à Polícia Civil um pedido de proteção para lideranças do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) e da Via Campesina na região. Segundo Darci Frigo, coordenador da organização Terra de Direitos, os líderes temem serem executados por uma suposta milícia armada que trabalharia a serviço de ruralistas.
No domingo, horas após a ocupação da estação experimental da empresa Syngenta em Santa Tereza do Oeste (24 km ao sul de Cascavel) por manifestantes do MST e da Via Campesina, um suposto confronto entre seguranças da multinacional que retornaram à área e sem-terra deixou dois mortos (um segurança e um sem-terra) e vários feridos. Os movimentos sociais sustentam que a ação na verdade foi um ataque de uma milícia que atuaria através da suposta empresa de fachada NF Segurança, a mando da Syngenta, da Sociedade Rural da Região Oeste (SRO) e do Movimento dos Produtores Rurais (MPR).
Darci Frigo afirmou que na solicitação as organizações também pedem a responsabilização da Syngenta e as prisões de Alessandro Meneghel, presidente da SRO, e de Nerci de Freitas, proprietário da NF Segurança. Ontem, mais sem-terra prestaram depoimento na Polícia Civil, que investiga o caso. ''Não é apropriado falar em confronto, pois foi um ataque'', disse Frigo.
Ontem, a Via Campesina desmentiu uma manifestante do movimento, que afirmou a uma emissora de TV que no momento da volta dos seguranças os sem-terra utilizaram uma arma dos próprios vigilantes para retrucar o suposto ataque. ''Essa mulher nem estava na fazenda no momento do ataque. Além disso, ela foi apresentada como coordenadora da Via Campesina, mas nunca exerceu esse cargo'', afirmou Frigo.
Ele disse que as lideranças dos movimentos ''não têm informações'' de que alguns sem-terra teriam revidado. Frigo também negou que os manifestantes tenham feito reféns durante a ocupação.
A Syngenta apontou que não deu instruções para reintegração de posse da área à força. Meneghel afirmou que não teve qualquer participação no episódio. Em depoimento, Nerci de Freitas disse que autorizou seguranças a voltarem à fazenda apenas para pegar objetos pessoais e negociar a liberação de supostos reféns, e que os vigilantes teriam sido recebidos a tiros.
A Secretaria de Estado da Segurança Pública apontou que a única arma que foi encontrada no local do suposto confronto era da NF Segurança. A polícia aguarda o resultado de exames para saber se as vítimas fatais foram atingidas por projéteis dessa arma.


