Brasília, 24 (AE) - O relatório elaborado pelo Serviço de Inteligência da Polícia Militar do Rio (PM2), em maio, mostra que as organizações criminosas que controlam o tráfico de drogas no Estado estão expandindo seus negócios para São Paulo. O documento é uma grande radiografia do crime organizado do Rio e inclui até a lista dos grandes traficantes procurados pela Justiça. Traz, ainda, informações que constatam a presença de integrantes do Comando Vermelho (CV) em São Paulo, como o relato sobre Nelson Rodrigues dos Santos, o Nelsinho da Mineira, que comanda uma rede de tráfico de drogas na zona sul da capital paulista.
Segundo a PM2, há registros de "ações" de integrantes do CV em São Paulo desde maio de 1996, quando "15 delinquentes fortemente armados" roubaram R$ 6 milhões da transportadora Protege, em São José dos Campos. Em julho do mesmo ano, o Patrulhamento Tático Móvel (Patamo) foi surpreendido por vários disparos. No tiroteio, três supostos traficantes foram mortos e um deles tinha uma granada de mão com as iniciais CV.
Meses depois, 15 bandidos armados com pistolas e metralhadoras do CV roubaram uma joalheria e uma agência bancária num shopping de São Bernardo, no ABC paulista. A ação foi planejada pelo comando, disse um dos ladrões.
Em maio de 1997, a PM de São Paulo obteve a informação de que integrantes do CV ocupavam a Favela Santa Cruz, em São José dos Campos. O líder da favela, Carlos Donizete Domingues Teixeira, disse ter ordenado a pichação de muros com as iniciais do CV para "intimidar outros traficantes".
O relatório da PM2 mostra que as novas quadrilhas de São Paulo usam as táticas dos traficantes do Rio. Moradores da Favela Santa Cruz negaram a presença do CV, mas disseram ter recebido cestas básicas de desconhecidos. E, conforme o CV impõe nas favelas cariocas, adolescentes infratores estariam proibidos de praticar furtos e roubos nas imediações, para não atrair a atenção da polícia - esses delitos diminuíram na região. Outra tática do CV, praticada em São Paulo, é a "lei do silêncio". Acuada por traficantes, a comunidade não dá pistas à polícia dos esconderijos de armamentos e drogas.
O documento da PM2 do Rio aponta Nelsinho da Mineira como líder de rede de tráfico de drogas na zona sul de São Paulo - Favelas Beira-Rio, Vietnã e Rocinha. O bando dele não se envolveu em ocorrências nos últimos meses.
O interesse dos traficantes cariocas por São Paulo estaria na grande concentração de bancos, joalherias e comércio, em geral. O relatório diz que o crime organizado do Rio expande-se no País por meio de outros delitos, em razão da "forte repressão ao tráfico de drogas" e à prisão de líderes.
A PM2 constata o aumento do número de roubos a bancos, forma "desesperada" de capitalização, para "saldar compromissos com fornecedores". Há registros de atuação de quadrilhas ligadas ao CV em Pernambuco - no polígono da maconha, no Vale do São Francisco - e na Paraíba.

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