Curitiba - A organização de direitos humanos Terra de Direitos enviou ontem um documento ao relator para casos de execução sumária da Organização das Nações Unidas (ONU) para informar sobre o suposto confronto entre seguranças e sem-terra na estação experimental da empresa Syngenta em Santa Tereza do Oeste (24 km ao sul de Cascavel), ocorrido no último domingo. No suposto conflito, duas pessoas foram mortas a tiros (um segurança e um sem-terra) e várias ficaram feridas.
''Informamos sobre a situação de uma milícia armada que atacou os trabalhadores, provocando a morte de duas pessoas. O relator para casos de execução sumária deve vir ao Brasil dentro dos próximos dias, para cumprir agenda em várias cidades. Então, o caso vai ser apresentado oficialmente, mas já enviamos um documento por fax hoje (ontem)'', disse Darci Frigo, coordenador da Terra de Direitos. Ele afirmou que várias entidades assinaram o documento que foi enviado à ONU.
A Terra de Direitos e a Via Campesina alegam que manifestantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e da própria Via Campesina, horas após ocuparem a fazenda da Syngenta, foram atacados por uma milícia armada, que funcionaria através de uma empresa de fachada e que seria sustentada pela própria multinacional e por ruralistas da região. A empresa e a Sociedade Rural do Oeste (SRO) refutaram as acusações.
Ontem, Nerci de Freitas, proprietário da empresa NF Segurança, responsável pelo monitoramento da área da Syngenta, prestou depoimento na Polícia Civil, em Cascavel. Segundo a polícia, Freitas confirmou que tinha um contrato com a Syngenta, mas disse que os seguranças eram impedidos de trabalhar armados no local.
De acordo com a Polícia Civil, o proprietário relatou que na manhã da ocupação da área um segurança lhe informou que os sem-terra teriam ficado com pertences dos vigilantes e mantido alguns seguranças como reféns. O segurança combinou de retornar ao local com outros vigilantes para negociar a recuperação dos objetos e a liberação dos supostos reféns, mas eles teriam sido recebidos a tiros. Então teria ocorrido o confronto. Entretanto, segundo a polícia, Freitas apontou que não autorizou os seguranças a irem ao local armados.
O proprietário também relatou que na manhã da ocupação informou à Syngenta sobre a invasão, e a multinacional teria instruído a NF Segurança a não interferir. A Polícia Civil deve analisar um vídeo e um CD com imagens do dia da ocupação.

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