Organização garantiu vitória de governistas na Câmara
São Paulo, 20 (AE) - Os governistas deixaram vazar indícios do planejamento da operação contra o impeachment do prefeito Celso Pitta, mas a oposição não parece ter percebido. Assessores políticos do prefeito Celso Pitta, encarregados de organizar manifestações favoráveis ao governo, passaram toda a quarta-feira articulando com vereadores.
Um dos contatados foi Antônio Goulart (PMDB) e outro, José Viviani Ferraz (PL), que disse em plenário precisar "trazer os eleitores da Vila Brasilândia" para torcer por Pitta. "Achamos que deflagrar a mobilização nesta semana seria precipitado, porque havíamos combinado com o Mellão (presidente da Câmara, Armando Mellão) que uma boa data para votar seria terça-feira", afirmou o presidente do Diretório Municipal do PT
vereador Vicente Cândido.
Cândido acredita que o planejamento não possa ser interpretado como uma divisão interna do partido, pois uma ala poderia não estar interessada no afastamento de Pitta em defesa da tese de que isso ajudaria o presidente nacional do PPB e ex-prefeito, Paulo Maluf.
A bancada do PSDB anunciou ontem (19) ser favorável ao impeachment, apesar de defender a continuidade das investigações por meio da aprovação das CPIs dos Precatórios, do PAS, do Lixo e da prorrogação da CPI dos Fiscais. Os vereadores tucanos Gílson Barreto, Pierre de Freitas e Éder Jofre não compareceram. O líder do PSDB, Dalton Silvano, disse que eles esperavam que a votação ocorresse na próxima semana.
Sessão - Ao contrário da oposição, os governistas demonstraram uma organização excepcional desde a manhã. Eles reuniram-se no gabinete do vereador Paulo Roberto Faria Lima (sem partido), preparando o chamado "rolo compressor".
Às 14h45, os vereadores Bruno Feder (PTB), Faria Lima e outros governistas já estavam no plenário, com galeria cheia de manifestantes pró-Pitta. A oposição conseguiu colocar a voto o pedido de CPI dos Precatórios para encerrar o prazo de 30 minutos para votação, mas perderam em plenário.
Depois tentaram obstruir a sessão. Eles acusaram Mellão de tentar dar um golpe ao pôr em votação o requerimento para prorrogação da CPI sem o ler, como determina o Regimento Interno.
Os vereadores Dalton Silvano (PSDB) e Wadih Mutran (PPB) trocaram empurrões, houve princípio de tumulto e a sessão foi suspesa. "Não vão pressionar o presidente", reagiu Mutran. Mellão não encerrou a sessão, leu rapidamente o requerimento e a prorrogação foi rejeitada pelos governistas. Brasil Vita (PPB), que votou a favor do requerimento internamente na comissão, correu pelo plenário orientando os companheiros de bancada para votar contra o requerimento.
"É não, hein!", repetiu para vários vereadores. Em seguida, o pedido de admissão do processo de impeachment foi rejeitado e arquivado. Os vereadores Toninho Paiva (PFL) e Maria Helena (PL), que garantiram a derrota de Pitta na Comissão Especial que analisou o pedido de impeachment e propôs a denúncia ao plenário, votaram contra a prorrogação da CPI dos Fiscais. Maria Helena votou contra o início do processo de afastamento e Paiva, não votou."Fiquei com a brocha na mão", disse Paiva. "Fiquei só e me ameaçaram de expulsão do partido"
explicou Maria Helena.
Pitta assumiu pessoalmente a negociação com vereadores e líderes partidários. O secretário do Governo Municipal, Carlos Augusto Meinberg, reconheceu que o governo estava muito distante da sua base parlamentar. Diante das reclamações dos vereadores governistas, o comando político do Palácio das Indústrias concordou com a participação política dos parlamentares no governo.
Isso significa que o Executivo concordou em dividir os ganhos políticos obtidos por meio de projetos e programas com os vereadores. "Não é participação administrativa, mas política", enfatizou Meinberg. Nos próximos meses, Pitta deve fazer uma reforma administrativa.





