O resultado final do exame de DNA feito no pedaço de orelha supostamente enviado pelos sequestradores de Wellington José de Camargo, irmão da dupla sertaneja Zezé di Camargo e Luciano, só deverá sair hoje. Segundo o laboratório paulista Genomic Engenharia Molecular, onde os primeiros exames foram realizados, a conclusão depende ainda da análise do sangue da mãe de Wellington, Helena Camargo.
‘‘Os exames feitos até agora não revelam nada conclusivo’’, assegurou o diretor administrativo do Genomic, Marcos Reinach. O laboratório comparou o DNA do material encontrado ao sangue de dois dos irmãos de Wellington.
Segundo informações extra-oficiais, os primeiros exames teriam indicado que o pedaço de orelha pertence a Wellington ou a um parente muito próximo do sequestrado. Reinach desmentiu a versão. ‘‘São apenas suposições’’, afirmou.
O pacote contendo um pedaço da orelha, supostamente pertencente a Wellington, foi deixado na manhã de sábado no jardim da entrada da TV Serra Dourada, em Goiânia. Um funcionário da tevê recebeu um telefonema anônimo, informando que o pacote continha também um bilhete, assinado por Wellington
no qual os sequestradores exigiam pressa no pagamento de US$ 3 milhões. O sequestro já dura 87 dias.
O geneticista Anor Antônio de Oliveira Neto, que viajou de Goiânia a São Paulo para acompanhar os exames no Genomic, retornou à cidade no final da tarde de ontem com o objetivo de colher uma mostra de sangue da mãe de Wellington para os novos exames, que devem ser feitos hoje.
Um policial que acompanhou o momento em que o embrulho foi aberto disse que foi retirado um pedaço da orelha esquerda. Ela estaria ensaguentada e envolta em um pedaço de toalha. A polícia acredita que o tecido tenha sido tirado cerca de três horas antes de ser encontrado. O bilhete também já está sendo submetido a exame grafotécnico para confirmar se foi escrito realmente pelo sequestrado.
Para o exame de DNA em São Paulo foram colhidas amostras de sangue de dois irmão do refém, um em Goiânia e outro em São Paulo.
O porteiro Rondinelli recebeu o telefonema anônimo por volta das 6h15 falando da encomenda. Do outro lado da linha, uma voz aflita pedia pressa: ‘‘Pega logo seu babaca.’’ Os funcionários acharam que poderia se tratar de uma bomba e acionaram a PM. O pacote foi aberto pelo sargento Morais, que examinou o material e leu o bilhete.
Logo em seguida, chegaram os homens do Grupo Anti-Sequestro. Um perito ficou revoltado com o procedimento do militar. ‘‘Quem sabe, a gente não poderia encontrar digitais nas peças’’, lamentou.Agência EstadoAmeaçaO secretário de Segurança Pública de Goiás, Demástenes Xavier Torres, mostra a caixa de isopor em que estaria o pedaço de orelhaCarla Franco
Agência Estado

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