Brasília, 08 (AE) - A ordem para a Polícia Militar (PM) do Distrito Federal agir para dispersar os servidores da Novacap, na quinta-feira passada, quando foi morto a tiros o servente José Ferreira da Silva, de 33 anos, partiu do próprio governador Joaquim Roriz (PMDB).
A confissão foi feita hoje em depoimento à Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados pelos coronéis PMs Paulo César Thimotheo, Dirnei Ferreira e Jair Tedeschi, que participaram direta e indiretamente da operação. No confronto, outros dois funcionários da Novacap foram atingidos com balas de borracha nos olhos e firacam cegos.
Na comissão, os coronéis afirmaram que a ordem de Roriz fora passada pelo ex-secretário de Segurança Pública, Paulo Castelo Branco, ao comandante do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da PM, tenente-coronel Mário Vieira, que a cumpriu. O ex-secretário recebera do governador a incumbência de - sem uso de violência - dispersar a manifestação da frente do portão da Novacap, a empresa de urbanização do Distrito Federal.
O comandante da PM do Distrito Federal, Antônio Ribeiro da Cunha, depôs terça-feira na Comissão de Direitos Humanos. Ele afirmou que a morte de José da Silva e os ferimentos dos grevistas da Novacap foram provocados pela falta de comando e indisciplina da tropa. Ao depor, nem Ribeiro e nem o ex-secretário Castelo Branco admitiram ter partido de instâncias superiores a ordem à tropa para agir contra os manifestantes.

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