Ordem judicial garante que gado seja vacinado
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terça-feira, 16 de maio de 2000
Marcos Zanatta De Maringá 
As famílias sem-terra acampadas na Fazenda Figueira, em Guairaçá (26 quilômetros a noroeste de Paranavaí), foram obrigadas ontem a liberar a vacinação do gado da propriedade, depois de uma ordem judicial. O proprietário da área, Marcelo Aguiar, da Agropecuária Santa Maria, teve que pedir reforço policial para vacinar os cerca de 4 mil animais em poder dos sem-terra. Estou gastando cerca de R$ 30 mil para fazer este trabalho e nem sei se vou usufruir dos animais, disse ele à Folha pouco antes de conseguir entrar na fazenda.
A negociação para os sem-terra liberarem a vacinação começou no início da manhã. O oficial de Justiça Hermenegildo Sérgio Pavão, de Paranavaí, foi até a porteira da fazenda por volta das 9h30 e avisou os sem-terra da ordem judicial. Os coordenadores do acampamento pediram para os policiais e os peões aguardarem próximo à mangueira, a cerca de cinco quilômetros da sede, onde estão montadas as barracas. Quase duas horas depois Pavão voltou a pedir o apoio dos sem-terra, mas só foi atendido por volta das 13h30.
Os sem-terra liberaram cavalos para os peões juntarem o gado na mangueira, mas impediram a entrada do proprietário e da polícia na área. O coordenador da União Democrática Ruralista (UDR) na região, Tarcisio Barbosa de Souza, disse que os sem-terra não deixam vacinar o gado e não fazem nenhum manejo dos animais. Eles (os sem-terra) não querem os peões dentro da fazenda porque estão tirando gado para vender, acusou.
Um dos coordenadores do acampamento dos sem-terra, Antonio Erici da Silva, garantiu que ninguém estava impedindo a vacinação. Tanto que em janeiro eles vacinaram os animais, lembrou. O que os sem-terra não querem, segundo Silva, é que policiais militares e jagunços entrem na propriedade.
O fazendeiro Marcelo Aguiar disse que já está com um prejuízo de R$ 600 mil com a ocupação da fazenda, invadida pela primeira vez em 1998.


