Orçamento não prevê novos cortes nas bolsas, garante ministro
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domingo, 21 de fevereiro de 1999
Por Clayton Levy 
Campinas, SP, 22 (AE) - O ministro da Ciência e Tecnologia, Luis Carlos Bresser Pereira, disse hoje, em Campinas, a 90 quilômetros de São Paulo, que o orçamento da União para esse ano não inclui novos cortes nas bolsas federais para pós-graduação. Segundo ele, até o final da próxima semana, o CNPQ deverá divulgar, pela Internet, a lista de bolsistas para este ano nas áreas de exatas, humanas e biológicas. "Por enquanto, as bolsas estão mantidas", disse o ministro.
De acordo com Bresser Pereira, os cortes no orçamento para este ano afetaram "muito pouco" o Ministério da Ciência e Tecnologia. "Estes cortes fazem parte do ajuste fiscal", explicou. Porém, não quis revelar o valor que será destinado a sua Pasta. Redução - Apesar de garantir as verbas de fomento para esse ano, o ministro disse que a tendência do atual governo é reduzir, gradualmente, as bolsas para mestrado, disponibilizando recursos apenas para cursos de doutorado. "O mestrado deve ser apenas um certificado profissional", disse.
Bresser Pereira, que pela manhã participou da inauguração do Centro de Microscopia Eletrônica no Laboratório Nacional de Luz Sincrotron, à tarde se reuniu com pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). No encontro, ele reafirmou a intenção do governo federal em manter a política de apoio a chamada "pesquisa induzida", em que o cientistas se propõe a desenvolver projetos considerados importantes pelo governo federal.
"Os próprios pesquisadores já constataram que seus projetos precisam ser relevantes para o País", disse o ministro. Segundo ele, porém, o governo federal não pretende impor o tipo de pesquisa que deve ser desenvolvida. "Nossa intenção é manter o debate constante com a comunidade científica", explicou.
O reitor da Unicamp, Hermano Tavares, que também preside o Conselho dos Reitores das Universidades de São Paulo (Cruesp), disse ser favorável à postura do governo federal. "Precisamos desenvolver projetos que atendam às necessidades do País e dêm resultados econômicos". Como exemplo, Tavares diz que os pesquisadores nacionais poderiam desenvolver produtos hospitalares e softwares para diagnósticos. "Somos um País carente na área de saúde", afirmou. Ele ressaltou, porém, que o governo federal também deveria reservar bolsas para outros tipos de pesquisa.


