Washington, 07 (AE-AP) - O presidente norte-americano, Bill Clinton, apresentou hoje (07) ao Congresso uma proposta de orçamento de US$ 1,85 trilhão - do qual a maior parcela se destinaria a projetos sociais -, em meio a acusações da oposição de que se trata de uma medida demagógica, típica de um ano eleitoral. A proposta prevê o maior gasto orçamentário da história dos EUA, mas congressistas republicanos, que detêm a maioria no Legislativo, já anteciparam que dificilmente o projeto será aprovado como está.
"Obviamente esse é um orçamento feito para um ano eleitoral", declarou o presidente da Comissão de Orçamento do Senado, o republicano Pete Domenici. "Nem a Casa Branca espera que ele seja ratificado. O objetivo (da proposta) é o de dar aos democratas a oportunidade de ser eleito utilizando partes do orçamento durante a campanha eleitoral."
"É um projeto que nasce morto", sentenciou, por seu lado, o presidente da Comissão do Orçamento na Câmara, o também republicano John Kasich. A proposta se refere ao ano fiscal de 2001, que começa em 1º de outubro. Em novembro, os candidatos democrata e republicano - provavelmente o vice-presidente Albert Gore e o governador do Texas, George W. Bush - disputam a presidência.
Pelo programa de Clinton, cerca de US$ 200 bilhões seriam aplicados no sistema de pensões do seguro social e na ampliação da assistência às pessoas maiores de 65 anos, que se beneficiariam de um subsídio de dez anos para os gastos com receitas médicas. Adicionalmente, a administração federal ampliaria também os investimentos em educação, em programas de popularização da informática e em projetos de capacitação profissional.
Na área externa, a Casa Branca planeja dobrar a ajuda anual de US$ 45 milhões para o programa da Organização Internacional do Trabalho (OIT) de combate ao trabalho infantil em todo o mundo. Estima-se que mais de 250 milhões de crianças menores de 14 anos estejam trabalhando em vários países em áreas que vão da confecção de roupas e tapetes à prostituição.
Para a ação antidrogas, a deverá ficar com US$ 818 milhões, como primeira parcela da ajuda de US$ 1,3 bilhão negociada no ano passado pelo presidente colombiano Andrés Pastrana. Peru e Bolívia devem receber US$ 48 milhões cada. Brasil (US$ 2 milhões) e Venezuela (US$ 1 milhão) também devem-se beneficiar da ajuda americana.
A Casa Branca qualificou o projeto de orçamento de "responsável e realista" para uma época de superávit estimado em quase US$ 3 trilhões para os próximos 10 anos. "Nosso êxito em reverter o aumento do déficit orçamentário que parecia incontrolável não tem resultado apenas em prosperidade, mas também devolveu aos EUA o espírito de confiança", disse Clinton.
A proposta do Executivo prevê um aumento de 4% nos gastos federais em relação ao US$ 1,765 trilhão do ano fiscal de 2000. Ele estima ainda ingressos de US$ 2,019 trilhões em impostos e taxas federais. O superávit previsto pode ser o quarto consecutivo, caso a tendência superavitária do ano fiscal corrente seja confirmada.
Economistas da administração Clinton esperam que o Tesouro seja capaz de zerar a dívida pública até 2013 e garantir, com os juros que deixaria de pagar, a solvência do sistema de seguro social até 2050. Pelo projeto orçamentário de Clinton, os gastos com o Estado seriam reduzidos de 18,7% do orçamento atual para 18,3%. O presidente ressaltou que o documento leva em consideração projeções cautelosas: crescimento de 2,6% - ante os 4% de 1999 -, inflação de 2,5% para 2001 e aumento da taxa de desemprego dos atuais 4% para 4,5%.

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