Orações e camisinhas protegem foliões
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sábado, 21 de fevereiro de 2004
Alan Maschio<br> Reportagem Local 
De uma forma ou de outra, os foliões londrinenses não têm motivos para se sentirem desprotegidos neste Carnaval. Entre orações e distribuição de preservativos, voluntários trabalham durante o feriado tentando garantir segurança e conscientização para quem se diverte nos quatro dias de festa.
Pelo menos 180 voluntários da Igreja Presbisteriana Independente, com sede na Rua Mato Grosso (Área Central de Londrina), se preocupam com a proteção espiritual das pessoas nesse período de Carnaval. Eles iniciaram as orações no começo da semana passada. O pastor João Simoneti informou que a Maratona de Oração, projeto desenvolvido todos os anos pela comunidade, já havia completado, até a manhã de ontem, 123 horas ininterruptas de intercessão pelos foliões.
A maratona só termina na próxima terça-feira, dia 24. Os voluntários foram divididos em grupos de cinco pessoas, que oram na sede da igreja entre as 9 e 21 horas. Das 21 às 6 horas, as orações são feitas nas casas dos fiéis. ''A Bíblia diz que Deus pede para que as pessoas preencham as brechas da sociedade. É isso que tentamos fazer'', explica o pastor.
Simoneti diz ainda que a intenção não é afastar os jovens da folia, mas conscientizá-los sobre os perigos que o Carnaval expõe as pessoas. ''Tentamos oferecer uma opção. Quem escolhe a igreja tem a garantia de estar afastado de problemas como drogas e prostituição'', afirma Simoneti. Ele lembra ainda que parte da comunidade da igreja é formada por pessoas que fizeram a primeira visita para agradecer às intercessões.
Mas o trabalho dos voluntários não se resume ao mundo espiritual. Na ordem prática, estão organizações não-governamentais (ONGs) como a Adé Fidan, que disponibiliza informações para o público homossexual de Londrina. Na noite de sexta-feira, por exemplo, os voluntários da ONG distribuíram 4 mil camisinhas e folders com informações sobre doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) para as pessoas que transitavam pela Avenida Leste-Oeste entre as 21 e 2 horas.
Segundo a presidente da ONG, Scarlet Ohara Costa, o público de gays, lésbicas e simpatizantes (GLS) da cidade é bem conscientizado com relação às DSTs. ''Tanto que o Carnaval não implica em aumento da incidência das doenças'', diz. Além da distribuição de camisinhas, projeto desenvolvido há três anos e conhecido como ''Boa Noite, Cidadão'', a Adé Fidan mantém duas casas de vivência. Inicialmente destinadas exclusivamente ao público GLS, o trabalho ficou tão conhecido que hoje atende a 2,5 mil pessoas das comunidades da Vila Yara (Zona Leste) e da Avenida Dez de Dezembro (Região Central). ''O adolescente se transformou na nossa grande preocupação e não podíamos deixar de atendê-los'', diz Scarlet Costa.


