São Paulo, 09 (AE) - Um novo portal de acesso gratuito à Internet será lançado amanhã (10), em São Paulo, com investimentos de US$ 120 milhões do Banco Opportunity e da GP Investimentos, do grupo Garantia. O usuário não terá de ser correntista de nenhum banco, segundo o diretor da IG (Internet Grátis), Matinas Susuki.
O lançamento acontece em meio a uma batalha dos provedores de acesso tradicionais contra os bancos - Bradesco e Unibanco - que anunciaram recentemente oferta do serviço gratuito aos correntistas. Segundo Susuki, o projeto do Ig.com vinha sendo desenvolvido desde agosto passado e a iniciativa dos bancos foi favorável.
"Foi até bom porque criou uma expectativa no mercado", declarou Susuki. "O acesso grátis é uma questão caduca", disse. "Já se consolidou na Europa, está acontecendo nos Estados Unidos e vai ocorrer também no Brasil", afirmou.
Para o diretor de Novos Negócios da Ig, Aleksandar Mandic, ex-proprietário do provedor Mandic, é possível um empreendimento sustentar-se sem a taxa de acesso à Internet. "Anos atrás, era impossível porque não havia publicidade nem comércio eletrônico", declarou. "Hoje, é perfeitamente possível."
Segundo Mandic, o contrato de tecnologia para o portal Ig.com é o maior que a americana Sun fechou na América Latina, no valor de US$ 20 milhões. A infra-estrutura do novo portal vai suportar 1 milhão de usuários simultaneamente.
Mesmo com tanto investimento, a decisão estratégica foi de lançar os serviços gradualmente para garantir qualidade, segundo Susuki. A partir de amanhã, o internauta poderá ter apenas o acesso gratuito, mas o portal vai oferecer no futuro e-mail, chat e páginas pessoais.
De início, estará operando em São Paulo. Na página www.ig.com.br, o visitante vai encontrar três sites: um de notícias sobre a rede, um de mulheres bonitas e outro com fofocas do mundo artístico. No fim de fevereiro, o serviço chega ao Rio, Belo Horizonte, Curitiba, Brasília, Florianópolis e Recife. A partir de abril, estará em mais 80 cidades.
"Nossa prioridade é sermos muito fortes em e-commerce"
afirmou Susuki, sem revelar as primeiras parcerias. A idéia é fazer um portal popular, atendendo também os usuários da rede com equipamentos mais básicos e de baixo poder aquisitivo.
"A filosofia é de democratização da Internet no Brasil", declarou Susuki. "Não é oferecer uma quantia ilimitada de canais, mas produtos que dêem mais audiência", disse. Para ele, o acesso gratuito à Internet não vai acabar com os provedores tradicionais porque sempre haverá internautas dispostos a pagar por um diferencial.