São Paulo, 13 (AE)- A receita encontrada pela OPP Petroquímica para lançar uma nova família de resinas termoplásticas está dando certo. "Nosso pré-marketing era de seis a 12 meses, e conseguimos abreviá-lo para dois meses", afirma o gerente de produtos e serviços da OPP, Luís Fernando Cassinelli.
A apresentação dos novos materiais, que antes era feita por vendedores e assistentes técnicos na empresa de cada cliente
agora ganhou formato de superprodução itinerante. A OPP, em parceria com indústrias de máquinas, leva o equipamento e a resina a cada região onde há concentração de clientes. Lá, mostra a transformação das resinas em bens como embalagens flexíveis e fraldas descartáveis. No caso das embalagens, são mostrados inclusive os processos de impressão e empacotamento do produto.
Para informar ao público sobre as características das resinas e suas aplicações, engenheiros de materiais e de produtos dão palestras. Executivos de vendas da OPP falam sobre as perspectivas de vendas no mercado de plásticos mundial e brasileiro, suas tendências e demandas. Para lançar uma nova família de resinas (a de polietilenos de baixa densidade linear - PEBDL), a OPP já percorreu este ano Florianópolis, Recife, Buenos Aires, Belo Horizonte, Araucária (PR) e finalmente São Paulo. Na capital paulista, onde a exposição ficará aberta até amanhã, a indústria está mostrando também o processo de reciclagem de plásticos.
Reciclagem - Uma máquina transforma a sucata de plástico em arvorezinhas multicoloridas de Natal, de 15cm x 8cm. Para o evento, inaugurado no sábado (11), foram convidadas mais de 500 crianças. No local, elas são estimuladas a participar de oficinas de reciclagem de plástico, transformando sucata em brinquedos.
Luís Fernando Cassinelli ressalta que a preocupação da empresa com a preservação do ambiente começa na própria produção das resinas. "Cerca de 80% da tecnologia que usamos não tem solventes e os catalisadores não são poluentes", afirma ele. O catalisador é o componente que transforma os gases petroquímicos
dentro do reator, em matéria plástica.
A nova unidade da OPP, em Triunfo (RS), iniciou sua produção em julho deste ano. A capacidade instalada inicial era de 260 mil toneladas ao ano. Mas a intervenção de engenheiros e técnicos para aprimorar a tecnologia licenciada pela Montell (subsidiária da Shell em desenvolvimento de tecnologias para petroquímica), possibilita que a unidade fabrique até 300 mil t/ano.
A fábrica do Sul foi a terceira a ser implantada no mundo com esse tipo de tecnologia. E é ela a que possui a maior capacidade de produção. As outras duas estão nos Estados Unidos e na Coréia do Sul, mas a capacidade instalada de ambas não passa das 200 mil t/ano, cada uma. "Nossas apresentações estão se refletindo nas vendas, pois estamos operando com a capacidade total", garante Cassinelli.
Com a mesma tecnologia e na mesma unidade, o próximo passo da OPP será o lançamento do PEBDL encolhível, resinas para a produção dos plásticos que unem e embalam as garrafas de refrigerantes (meia dúzia) ou as de cerveja e outros produtos vendidos em quantidade. Em São Paulo, a apresentação da OPP é realizada no Clube Hípico de Santo Amaro, à rua Visconde de Taunai, 508, Santo Amaro.
Mudança de rumos - As inovações da OPP no Sul, onde a indústria mantém um centro de tecnologia para o desenvolvimento de novos materiais e até produtos (softwares simulam bens de consumo, cuja demanda é apontada pelo mercado e os transformadores de plásticos), são motivadas pelo atendimento ao mercado e pela transferência das posições da indústria de Camaçari (BA) para Triunfo (RS).
A partir da venda de sua parte na Companhia Petroquímica do Nordeste, a OPP retira-se daquele pólo, o que inclui a venda de suas unidades de polietilenos, soda, cloro e PVC, instaladas no Nordeste. A unidade de PET, em parceria com o grupo Mariani, cujo departamento comercial se transfere, no próximo ano, para São Paulo, também está no rol de ativos à venda.
Em Triunfo (RS), a previsão, há cerca de um ano, era de uma fusão entre a indústria da Odebrecht Química e a Ipiranga Petroquímica - que deu partida, também este ano, a uma nova unidade com a mesma tecnologia Montell. Mas as apostas de executivos do setor petroquímico descartam tal parceria, indicando que o mais provável é um casamento entre Dow Química e Ipiranga.
Para que isso aconteça, porém, a Dow não poderia adquirir a Copene - vontade que deixou explícita quando foi anunciada a venda em consórcio (Odebrecht, Mariani e ex-Econômico) do controle da Companhia. A Dow é dona do pólo de Baia Blanca, na Argentina. A soma da produção de insumos petroquímicos (eteno) de Camaçari e Baia Blanca (1,9 milhão t/ano, fora a expansão da produção no nordeste, para mais 600 mil t/ano, indo das atuais 1,2 milhão para 1,8 milhão t/ano) configuraria monopólio no Mercosul.

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