Opositores tomam as ruas de Jacarta para marcar início da campanha
Jacarta, 19 (AE-AP) - Reunidos no Monumento Nacional, no centro de Jacarta, dezenas de milhares de pessoas deram início hoje (19) a uma campanha eleitoral de três semanas que culminará com a escolha do novo Parlamento e a possível consolidação do processo de redemocratização na Indonésia.
A manifestação deveria contar com a participação de todos os 48 partidos indonésios, mas um mar de bandeiras vermelhas indicou a superioridade dos partidários de Megawati Sukarnoputri
filha do líder fundador da Indonésia, Sukarno, e candidata à presidência.
Durante o regime do ex-presidente Suharto, apenas três partidos oficialmente sancionados tinham permissão para disputar as eleições, sempre ganhas pelo Golkar. Para analistas, os resultados era consequência da compra de votos e da prática de fraude eleitoral.
Entretanto, em uma demonstração de que os tempos são outros na Indonésia, os representantes de cada partido - menos Megawati - se perfilaram em colunas em frente ao monumento. De lá, seguiram em grupos para diversos bairros de Jacarta, percorrendo caminhos que, um ano atrás, eram cenário dos violentos distúrbios que resultaram na queda do ditador Suharto.
O lançamento oficial da campanha eleitoral foi repetido em várias cidades do país, o quarto maior do mundo.
As autoridades indonésias garantem que estas serão as eleições mais justas em quatro décadas. Ainda assim, muitos acreditam que, passada a euforia inicial, haverá os mesmos confrontos sangrentos que marcaram as eleições anteriores. O pleito está marcado para o dia 7 de junho.
De Jacarta, o líder preso do movimento de libertação de Timor Leste, José Alexandre Xanana Gusmão, falou à televisão portuguesa, por telefone, que as autoridades indonésias deverão libertá-lo em 9 de agosto, um dia depois do referendo que decidirá o futuro do território.
Gusmão, que está cumprindo pena de prisão domiciliar na capital indonésia, foi capturado em 1992.





