Opositores de Pinochet prometem julgá-lo, partidários preparam festa2/Mar, 16:02 Santiago, 02 (AE-AP) - Partidários do general Augusto Pinochet aplaudiram hoje (02) a decisão da Grã-Bretanha de não extraditar o ex-ditador para a Espanha, enquanto seus opositores prometiam lutar para que ele seja julgado no Chile. Pouco depois de o avião de Pinochet levantar vôo da Grã-Bretanha, um grupo de seis parlamentares pediu formalmente à Corte de Apelação de Santiago para suspender a imunidade de Pinochet como senador para que ele possa ser julgado. "Esperamos uma decisão da corte em quatro semanas", disse um dos parlamentares, Hugo Gutierrez, à Associated Press. "Vamos continuar lutando até o fim". "O pesadelo acabou", afirmou por seu lado o general retirado Luis Cortes, diretor da Fundação Pinochet, um grupo privado de seguidores e ex-assessores de Pinochet. Acenando bandeiras chilenas e fotografias do general, 50 pessoas que estavam na fundação gritaram e aplaudiram quando foi anunciada a decisão britânica. Muitas choraram. Cortes disse que ainda estavam sendo preparados detalhes da recepção de boa-vinda a Pinochet. Tanto partidários quanto opositores de Pinochet promoveram vigílias, em separado, durante toda a noite esperando a decisão de Straw. Na sede de uma organização de parentes de centenas de dissidentes que desapareceram durante a ditadura de Pinochet, a notícia foi recebida com calma. "Não devemos ficar tristes", expressou a presidente do grupo, Viviane Diaz. "Devemos agora continuar a lutar por justiça e garantir que Pinochet enfrente um julgamento aqui. "Ele irá retornar ao Chile, mas não como um homem declarado inocente. Ele vem condenado pela opinião pública mundial, graças aos sitemas judiciários da Espanha e da Grã-Bretanha. Agradecemos a eles." Pinochet recebeu a notícia "com muita calma, do jeito que ele normalmente é, sem demonstrar seus sentimentos e emoções", revelou seu filho mais velho, Augusto Marco Antônio. "Minha mãe nos telefonou e disse o que tinha ocorrido", afirmou ele. "Ela disse que eles estavam apenas aguardando e quando lhes foi dito que podiam partir, eles apenas partiram, com meu pai muito, muito calmo e satisfeito". Existem 59 processos pendentes contra Pinochet no Chile, e o juiz responsável por eles, Juan Guzman, afirmou hoje que irá pedir um exame médico de Pinochet, "especialmente de sua condição mental", antes de decidir sobre julgá-lo. Segundo um relatório oficial divulgado pelo governo civil que sucedeu Pinochet, 3.197 pessoas foram mortas ou desapareceram sob sua ditadura.