Oposições lançam em 18 de novembro documento contra governo
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quinta-feira, 14 de outubro de 1999
Por Ayrton Centeno 
Porto Alegre, 15 (AE) - As oposições ao governo Fernando Henrique Cardoso apresentarão em 18 de novembro, em Brasília, um manifesto destinado "a todos aqueles que não têm vergonha de serem brasileiros e nacionalistas, que rejeitam a corrupção e a subordinação ao FMI (Fundo Monetário Internacional)", segundo adiantou hoje, em Porto Alegre, o presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva.
Ele disse que o documento, destinado "ao povo brasileiro", incluirá todos os partidos de oposição, personalidades da sociedade civil, sem vinculação partidária, e até políticos de siglas que integram a base de apoio do governo federal.
"Não é um manifesto das esquerdas ou um documento eleitoral", enfatizou. "Eu, por exemplo, fui encarregado de conseguir as assinaturas de Chico Buarque e de Antonio Cândido"
mencionou Lula. O ex-prefeito de Porto Alegre Tarso Genro (PT), que também trabalhou na elaboração do documento, explicou que a idéia é juntar cerca de 50 ou 60 assinaturas importantes. Ele antecipou que, entre as adesões confirmadas, estão a do bispo d. Mauro Morelli, do jurista Celso Antonio Bandeira de Mello e do senador Roberto Requião (PMDB-PR). Genro disse que se dispõe a pedir a assinatura do senador Pedro Simon (PMDB-RS), lançado pré-candidato à Presidência da República, "desde que ele confirme que está na oposição".
Indagado sobre as declarações do presidente do Congresso
senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), favoráveis a uma rediscussão de pontos do acordo do Brasil com o FMI, Lula ironizou. "Ele deve estar lendo um material antigo do PT", comentou. "Aceitamos acordo, mas não subordinação", disse, advertindo que a receita preconizada pelo FMI "não deu certo em nenhum país do mundo".
Lula sublinhou ser "muito ruim" que a campanha de 2002 tenha começado três anos antes por causa da "baixa credibilidade" do governo FHC, fazendo com com que os partidos de sustentação, como o PFL e o PMDB, pusessem as candidaturas na rua. Ele atentou que o governo federal, em crise de popularidade
passou "a lançar um plano por semana", sem preocupação de os cumprir. Na opinião dele, o presidente está "mais preocupado com o merchandising do que com governar o País".
Abordando o Construgiro - um pacote federal de US$ 800 milhões para a construção civil, que propiciaria a criação de 120 mil empregos - Lula foi cético. Recordou que, no início do ano, ao lançar o Plano de Arrendamento Residencial (PAR), da Caixa Econômica Federal (CEF), o governo FHC prometeu US$ 3 bilhões para gerar 250 mil novos postos de trabalho. Depois de cinco meses, somente US$ 32 milhões foram liberados.
Lula disse que a redução da taxa de juros é o que o PT vem propondo desde a campanha presidencial de 1998. "Disseram que éramos dinossauros e que queríamos a volta da inflação", rememorou.
Analisando os primeiros meses dos governos de oposição nos Estados, Lula sustentou que os governadores "estão bem" e devem mostrar isso de modo mais claro em 2000. Ele argumentou que o primeiro ano é sempre mais difícil por causa da prática da esquerda de promover "uma inversão de prioridades". Falando para uma platéia com muitos empresários, Lula defendeu a atitude tomada pelo governador do Rio Grande do Sul, Olívio Dutra (PT), na polêmica com a Ford. O presidente de honra do PT disse que Olívio "agiu corretamente" ao informar à Ford que o Rio Grande do Sul não poderia emprestar todo o dinheiro que a multinacional queria para construir uma montadora em Guaíba.


